22 dezembro 2005

Boas Festas do Blue Lounge

Eu sou dos que gosta do Natal, sem reservas. Do presépio, das árvores iluminadas, do Pai Natal e do palhaço que o acompanha há muitos anos no comboio até ao circo. Esta é uma época do ano que mexe comigo: a preparação dos vários encontros, a decoração das casas, a compra dos presentes, a transformação do espaço público, as suas músicas, a criatividade de algumas campanhas publicitárias, o convívio com familiares e amigos, a gastronomia natalícia, a alegria das crianças, uma parte desta quadra traz consigo o que de melhor há em nós. O Natal faz-me ainda revisitar memórias felizes da minha infância, sobretudo as viagens prodigiosas que fazia com os meus pais e irmãos desde o Norte de Espanha, atravessando toda a Ibéria, com grande ansiedade e em pleno Inverno, entre estradas cobertas de gelo e neve, correntes nas rodas, para nos juntarmos em Portugal ao resto da família; sinto ainda hoje a nostalgia do regresso, algures no dia de Reis, e que era apenas atenuada pela possibilidade de, maximizando as tradições natalícias dos dois lados da fronteira, voltar a ser presenteado com mais alguma lembrança! O Natal é uma festa religiosa por excelência, onde os cristãos festejam o nascimento daquele que é o seu Deus menino. A laicização do Natal e da sua mensagem, no presente, é evidente; mas convém não esquecer que se o Natal é hoje a festa da união, da paz, da família, da fraternidade e da partilha, tal resulta, é fruto, da sua raiz eminentemente cristã. São estes valores do cristianismo que dão sentido ao Natal, ainda que festejado de uma forma laica. Pode sempre dizer-se que estas referências não são exclusivamente cristãs; e, hoje, de facto, não o são. Mas, ao longo da história da humanidade, foi a religião cristã quem melhor as defendeu e promoveu; por isso os cidadãos tolerantes devem recear os modelos sociais que escondem as suas raízes, e remetem a religião para as catacumbas; uma sociedade sem religião acabará, mais cedo ou mais tarde, por ignorar aqueles que são os seus valores fundamentais, tornando-se agressiva e desvirtuada. O Natal é o momento em que nos recolhemos e voltamos às coisas simples da vida: uma pausa, um instante, para em silêncio e recolhimento, fazer um exame de consciência e realinhar a nossa conduta e os nossos objectivos; uma oportunidade para dizermos aos outros quanto gostamos deles, a ocasião por excelência para manifestarmos a nossa gratidão por tudo o que fizeram por nós. O Natal é, também, parar para admirar a beleza de um Deus que quis nascer pobre, de um casal que encontrou a felicidade num local perdido, a caminho de Belém. Onde rumaram pastores e reis de várias origens para lhe entregarem o melhor de si próprios. A todos que me honraram com as suas leituras, comentários, concordâncias e discordâncias, cordatas ou acesas, aqui e no Blasfémias, agradeço a vossa amizade e desejo um Santo e Feliz Natal, esperando poder continuar a receber-vos neste espaço que é vosso. O meu presente é a promessa do meu tempo e da minha dedicação no ano novo que se aproxima, seja no Blue Lounge, no blog da Causa Liberal, ou noutros locais que entretanto se propiciem. O vosso, será aquilo que me quiserem dar em troca: leituras, links, feedbacks ou simplesmente a vossa amizade. Rodrigo Adão da Fonseca

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