30 dezembro 2005

Em época de crise, ainda há bons empregos

Na SIC Notícias, ouve-se o "choradinho" do costume: é a crise, o Estado não tem dinheiro, sobre o imposto sobe os produtos petrolíferos numa revisão extraordinária de 2,5 cêntimos por litro (a isso "obriga", diz-nos o jornalista, o Pacto de Estabilidade e Crescimento). Alguns cidadãos conformados, apanhados à saida de um supermercado, enquanto arrumam as compras, dizem constrangidos, como quem dá uma esmola ao Estado: "pois, o Estado não tem dinheiro, não pode pedir emprestado porque não pode ter mais dívidas"; "tem de ser"... Olha, olha, o que encontrei no site da Direcção-Geral de Saúde, na área dos Recursos Humanos e do Recrutamento: Motoristas para a Direcção-Geral da Saúde A Direcção-Geral da Saúde precisa urgentemente de motoristas Local de trabalho: Direcção-Geral da Saúde Alameda D. Afonso Henriques, nº 45 1049-005 Lisboa Vão ser iniciados procedimentos com vista à admissão de motoristas com vínculo à Função Pública. Contacto:Isabel Fonseca E-mail: misabelf@dgsaude.min-saude.pt Tel: 21 843 06 41 Afinal, há crise, mas o Estado não perde bons hábitos; motoristas, com carácter de urgência, e com um vínculo laboral para toda a vida!

Pergunto-me se estes motoristas vão ser contratados para conduzir ambulâncias, ou se vão apenas coadjuvar nas deslocações dos funcionários da DGS; e será que um normal contrato individual de trabalho não seria suficiente?

Porque razão ainda alguém neste país tem o privilégio de ser contratado - à custa dos contribuintes - com o paleolítico vínculo à Função Pública?

Enquanto aqui no Norte diariamente falências empurram para o desemprego milhares de mulheres e homens, trabalhadores esforçados de empresas que não aguentaram a concorrência, em boa medida por culpa da forte tributação a que estão sujeitos (IRC, IVA, Segurança Social, Impostos sobre produtos petrolíferos, Imposto do Selo, ufa, que lista), o Estado continua a viver no país dos rodinhas: motoristas - com carácter de urgência - e com vínculo para toda a vida! Ninguém diz nada? Não fere tal discriminação o princípio constitucional da igualdade? O rei vai nu, o rei vai nu, gritamos todos. Não adianta berrar. A governação em Portugal, neste contexto, mais parece uma colónia de nudistas... Rodrigo Adão da Fonseca

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