18 janeiro 2006

Um desígnio geopolítico para o Porto: O ressurgimento de um projecto mobilizador

As ideias têm de fazer o seu caminho. De há muito que defendo o nascimento de uma nova cidade, resultante de uma integração entre o Porto e Gaia. Trata-se de uma velha ideia – sem pai, sem dono e sem autor, embora com muitos e distintos defensores –, que, de quando em vez, assoma no espaço público. Num dos «Olhares Cruzados sobre o Porto», organizados pelo Público e pela Universidade Católica, destinado a debater a relação do Porto com a capital (ou, mais latamente, com Lisboa), renovei essa profissão de fé na união das duas margens do Douro. O grande Porto deve encontrar vias de realização que dependam apenas de «si» e que não assentem na desculpa lábil e fácil do centralismo da capital. Quis o acaso que se seguisse uma acesa discussão, ainda em transe, com foros promissores de empenho e seriedade.
Da torrente de críticas formuladas – muitas delas, sublinhe-se, acompanhadas de alternativas interessantes –, uma há que sobressai em veemência: a de que a união entre o Porto e Gaia representaria uma mera operação de cosmética administrativa, uma espécie de adição demográfica, sem qualquer «externalidade». Mesmo que assim fosse – diga-se de passagem –, nem por isso deixaria de ser uma solução adequada, já que daria um quadro jurídico-administrativo a uma realidade efectivamente existente.
Paulo Rangel (Público, 18 de Janeiro de 2006)
Rodrigo Adão da Fonseca

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