06 setembro 2006

Quem acende a luz?

Marques Mendes durante um ano foi incapaz de apresentar uma solução credível para a reforma da Segurança Social. Fá-lo agora, quando o governo já avançou para a Concertação Social.
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Pergunto-me contudo se o PSD teria feito a mesma proposta caso fosse governo ou se houvesse a mínima hipótese de ela ser atendida pelo PS. Porque há um ponto que não se explica: como é que o PSD pretende financiar a transição para um modelo misto? A solução que defendem implica uma quebra óbvia de receitas: ao contrário do que o PS diz, esta diminuição é, a prazo, postiva, porque é acompanhada a) de uma desresponsabilização do Estado face ao pagamento de uma parte significativa das reformas; e b) da capitalização individual dos valores envolvidos; mas e no imediato, como se ultrapassa este fenómeno "Afinsa" em que se tornou a nossa Previdência?
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O modelo que o PSD propõe tem, assim, esta grande virtude: põe a nu aquele que é o problema central do nosso sistema de reformas: funciona numa base de caixa - vive das contribuições presentes da população activa - pelo que qualquer fenómeno de capitalização individual - que é o único que salvaguarda as gerações futuras - determina a falência eminente do sistema actual, a menos que se injectem fundos de outra origem (que não as contribuições entretanto objecto de capitalização individual). Impostos para os actuais reformados? Dívida pública? Privatizações? Cativação de impostos indirectos? O PSD não responde. O PS acusa o principal partido da oposição de irresponsabilidade (certamente por ter rompido com o consenso existente sobre esta matéria). Só não vê quem não quer. O cenário é negro. Alguém do PSD e do PS podiam fazer o favor de acender a luz? Rodrigo Adão da Fonseca

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