30 outubro 2006

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Escreve o Pedro Arroja no Blasfémias:

Os primeiros liberais nasceram aqui mesmo à porta. Foram espanhóis e portugueses - os teólogos tomistas do séc. XVI (dominicanos, franciscanos e jesuítas) da escola de Salamanca (mais tarde cindida em duas correntes, uma sediada em Salamanca e a outra em Coimbra).

Francisco de Victoria foi o fundador e a escola incluíu outros teólogos católicos como Luís de Molina, Domingo de Soto, Lopes Rebelo, Martin de Azpilcueta, Tomás de Mercado, Juan de Molina, Pedro de Aragón, Martinho de Ledesma, Heitor Pinto, Bartolomé de Albornóz, Juan de Mariana e Francisco Suarez.

Estes homens trataram os temas do liberalismo moderno - como a liberdade individual, a limitação dos poderes do Estado, a propriedade privada e a propriedade pública, a teoria da moeda e a inflação, as finanças públicas, a tributação e o princípio do equilíbrio orçamental, o valor e os preços, o comércio e os lucros, o risco, a determinação dos salários, o juro e a banca, a justiça distributiva (justiça social) - numa perspectiva inteiramente inovadora e que viria a ser retomada pelos moralistas escoceses do séc. XVIII (Fergunson, Smith, Hume), pelos clássicos ingleses e, mais tarde, pela escola austríaca.

Na minha opinião, eles foram os fundadores do liberalismo moderno. Eram teólogos católicos, eram portugueses e espanhóis. Um motivo de orgulho? Eu julgo que sim.

Para quem se interessa por estes assuntos, recomenda-se vivamente o livro do André Azevedo Alves, Ordem, Liberdade e Estado (Parte 1, capítulo 2.1.). Seria interessante que o Rui a. desenvolvesse também estes tópicos, por ser um entendido na matéria. Rodrigo Adão da Fonseca

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