19 outubro 2006

Fim da okupação (com links actualizados)

O meu protesto no Blasfémias acabou. O Rivoli já está livre novamente, e o objectivo da "okupação virtual" cumpriu-se.
Os blasfemos já se encarregaram de me vedar o acesso e de barrar a entrada, deixando apenas um gorila à porta. O que, aliás, é perfeitamente legítimo.
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Esta acção, toda ela interpretada por retratos de Andy Warhol, visou pôr a nu a ridícula "rivolização", bem descrita hoje por JPP, quando na sua coluna do Público a classifica como um protesto em que uns "[defendem] o seu, exigindo continuar a gastar o nosso".
É, esse, sem dúvida, o fito "[d]a «rivolução» dos nossos dias".
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Como é sabido, Wahrol, com a sua pop-art, vulgarizou a noção de cultura; retirou-a de um universo das elites, e aproximou-a dos objectos simples. A pop-art desmultiplicou-se, quer pelas suas formas, quer pela acessibilidade dos objectos criados. Warhol foi assim o percursor da cultura de massas.
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Nem tudo o que é bem sucedido tem valor cultural; mas o mesmo raciocínio se aplica a algumas expressões culturais que não têm o acolhimento do público, porque pura e simplesmente não valem nada: muitas produções culturais não têm público, apenas e só porque são más.
Repugna-me a ideia oportunista em que se insinua que o reconhecimento do público e a rentabilidade de um processo cultural significam, desde logo, que estas produções não têm valia. Porquê?
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Não se compreende o protesto do Rivoli, protagonizado por uma minoria que não tem expressão na cidade, que desdenha dela, que desconfia da gestão privada, que foge das massas, que trata como ignorantes, mas cujo apoio regateia nestas alturas, de uma forma claramente interesseira.
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Este meu protesto teria, necessariamente, que ser protagonizado por imagens pop.
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Peço desculpa aos blasfemos por esta usurpação abusiva de um espaço que já não me pertence, mas a mensagem, para poder ter impacto, precisava mesmo de uma "okupação" ilegal daquele que é um dos grandes bastiões da defesa da propriedade. Um agradecimento especial ao João Miranda, que de uma forma diligente na caixa de comentários liderou as negociações para a desocupação.
Rodrigo Adão da Fonseca

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