03 outubro 2006

Os "eunucos da política" - parte II

Escreve Vital Moreira no seu Causa Nossa:

Em apenas dois anos, os Estados Unidos duplicaram as ajudas à sua agricultura (milho, soja, algodão, arroz, trigo, etc.), permitindo-lhe concorrer com vantagem no mercado mundial e criar ainda mais dificuldades aos países pobres do hemisfério sul que dependem da exportação desses produtos. Para quem prega a liberdade de comércio internacional não está mau. E fica assim explicado por que é que as conversações da OMC chegaram a um impasse. E por que é que os países ricos têm de construir muros para impedir o êxodo dos países pobres que eles ajudam a tornar mais pobres.

Os EUA são dos países mais proteccionistas do planeta. Mas, com franqueza, nunca vi um governo americano, com consistência, "pregar a liberdade de comércio internacional". Luta sim pelos seus interesses. Como os países europeus, a Rússia, a China. O que não significa que não haja defensores nos EUA do livre comércio. Agora, diga-se toda a verdade. O mesmo fenómeno ocorre, v.g., na Europa: a subsidiação e o proteccionismo são fenómenos transversais à generalidade dos países desenvolvidos.
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Esta abordagem, infelizmente, tem causado fome e desagregação social, em especial em África. Que dizer da forma como ingleses e franceses actuam neste continente? E, porque não recordar o imperialismo soviético e cubano nas ex-colónias? Foram fonte de progresso? VM defende a livre circulação de pessoas e bens e o comércio livre? É contra a concessão de subsídios e a intervenção estatal na produção de bens e serviços? Um pouco mais de boa-fé, por favor. E multiópticas, também. Rodrigo Adão da Fonseca

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