Só fumaça

As manifs fazem parte do folclore da democracia porque o imaginário da resistência tem um perfume irresistível. Eduardo Pitta, Da Literatura
Recomenda-se vivamente o post "Só Fumaça", do Eduardo Pitta, no Da Literatura. As medidas que este governo anunciou são bem ligeiras; as reformas, a doer, ainda não foram tomadas. O governo vai ter, no prazo de dois anos, que reduzir 3 pontos percentuais ao défice; na Segurança Social, apenas se adia a morte anunciada do sistema; na Saúde, "berra-se" porque se promovem taxas moderadoras de valor marginal; na Educação, a Ministra limita-se a introduzir uma certa racionalidade e bom-senso na gestão dos estabelecimentos e das carreiras; se formos rigorosos na análise, só podemos concluir que Sócrates apenas está a promover uma ou outra medida mais austera. E sempre num quadro de políticas bem socialistas, importa que fique claro (há muito pouco conteúdo liberal no rumo assumido por este governo). Ainda assim, é melhor que nada; agora estamos bem longe daquilo que ainda é preciso fazer. Alguns portugueses, porém, convenceram-se que uma combinação de democracia e socialismo lhes resolveria problemas que são seus, ao mesmo tempo que se esqueceram que sempre fomos ao longo da História um povo pobre, que só a custo conseguiu ter pão na mesa; hoje existem condições para que Portugal dê um grande salto; só que, paradoxalmente, vive-se em alguns sectores um estado de uma estranha letargia; boa parte dos portugueses estão como que paralisados na luta contra as adversidades; este estado é motivado, em boa medida, por fortes doses de preguiça. Uma boa parte do país conjuga esta nova noção de "solidariedade": o que é que os outros têm de fazer por nós? Os próximos anos em que o país vai ter de se submeter a ajustamentos estruturais vão ser assim bem dolorosos e de forte contestação. Mas importa deixar bem claro: quem estagnar, quem parar, vai morrer. Rodrigo Adão da Fonseca

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