22 outubro 2006

Sobre as alterações climatéricas

As questões climatéricas não são o meu forte; aliás, percebo até muito pouco do assunto. Não sei, sequer, se o planeta está ou não num processo irreversível de aquecimento global. Deixo a discussão técnica para os connoisseurs. Limito-me a constatar que, no nosso quotidiano, desrespeitamos com frequência o ambiente, de uma forma grosseira. Seja na construção civil, na organização urbana ou nos transportes, na forma como utilizamos as energias; no planeamento florestal e rural. Com prejuízos óbvios e desnecessários. Na qualidade de vida. E na economia. Pense-se na desvalorização ocorrida na Costa da Caparica, pela forma desregrada como se construiu aí nos anos 70 e 80. O que poderia ser a Praia da Rocha, se tivesse havido um adequado planeamento urbanístico? Veja-se no que se tornou o Rio Leça, e o custo que implica a sua despoluição. A preservação do ambiente é uma responsabilidade de todos; impõe-se aos cidadãos; e ao Estado. Todos poderíamos fazer mais, na nossa vida quotidiana; o Estado, também, não está isento de responsabilidades: basta lembrar o que é a política portuguesa nos transportes e na fiscalidade; nas mercadorias, privilegiam-se as vias rodoviárias; o mesmo ocorre com as pessoas. Portugal tem um caminho-de-ferro subaproveitado; e explora pouco o mar. Nas cidades, o transporte público não é competitivo, arrastando os habitantes para a viatura particular. As cidades não foram construídas para os peões. Andar a pé em Lisboa e Porto, as duas maiores cidades do país, é por vezes uma aventura. O centro das cidades está vazio, mas nos seus arredores vivem milhões de pessoas que aí se deslocam diariamente. Ocorre que os governos e autarquias dependem das receitas de impostos como o IA, o Imposto sobre Produtos Petrolíferos, ou o IMT e IMI, como de pão para a boca. Em Espanha, o IA v.g., representa menos de 0,1% do PIB; em Portugal, representa 1% do PIB. Os municípios continuam a ter um forte incentivo para autorizarem a construção nova, face à reabilitação, dado o modo como são feitas as avaliações para fins fiscais. Este post está certamente recheado de lugares-comuns; só que, infelizmente, estas evidências são ignoradas à saciedade: se há défice em Portugal é, desde logo, de consciência ambiental; preservar o ambiente mais não é do que respeitar a lei natural. O planeta não existe apenas em função dos homens, nem daqueles que circunstancialmente, num dado tempo, o habitam. Rodrigo Adão da Fonseca

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