29 dezembro 2006

«That number is a part of me»

A aprovação do cartão único tem levantado algumas reservas e merecido justas críticas, como as do FJV. Outros, como a Fernanda Câncio e o Pedro Caeiro, consideram-nas exageradas. Eu percebo a utilidade do cartão único, e até lhe reconheço alguns méritos. Mas na avaliação da sua oportunidade, não consigo passar por cima das razões, v.g., que levaram o Reino Unido a não autorizar durante décadas a existência de um vulgar Bilhete de Identidade; nem do que têm sido, por cá, as sucessivas violações (basta recordar, ainda este ano, o que foi o "Envelope 9") a que todos estamos potencialmente sujeitos: num país onde ganha cada vez mais espaço uma corrente judicialista que com uma frequência preocupante promove atropelos vários dos direitos dos cidadãos, o cartão único vem - também - facilitar a vida a certos burocratas que não valorizam nem compreendem o significado das palavras privacidade e liberdade. Vamos ver o resultado.
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Recordo o que publiquei aqui sobre este assunto, em Fevereiro, recuperando o documentário que lhe deu o mote: «That number is a part of me», um relato arrepiante sobre a redução da pessoa ao número ocorrida no tempo do nazismo. Nunca fez mal a ninguém ouvir as lições da História, e este depoimento - «That number is a part of me» - fez-me pensar como ela, por vezes, parece que anda aos "círculos":
That number is a part of me (ver o depoimento de Helena Jockel) Helena Jockel loved the bright, friendly students she taught at a Jewish elementary school in occupied Hungary. But her world ended when the Nazis evacuated the town's Jewish ghetto in 1944. In this CBC Television clip, the Halifax resident says that, a half-century later, she remembers the names of all 28 students who rode with her in a cattle car to an uncertain fate. "I hoped that I would be able to help them," she says, pausing, "And I never, ever was."Arriving at Auschwitz in Poland, Jockel and others were herded on to a ramp. There, Dr. Josef Mengele, "the chief selector," decided with a wave of his finger who lived and who died. It was humiliating to be reduced by a tattoo to number 16505 in the Nazi death machine, she says. "It never, ever came into my mind to get rid of that number. That number is a part of me, a part of my experience. "Jockel also describes an encounter with a female SS soldier, the "beautiful music" of the Allies bombing the camp, her eventual liberation and why she will never return to Auschwitz.
Rodrigo Adão da Fonseca

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