No luxury and no comfort, no delight and no pleasure, no new liberty and no new discovery, no praise and no flattery, which we may enjoy on our journey, will mean anything to us if we have forgotten the purpose of our travels, and the end of our labours. Isaiah Berlin
30 Abril 2006
27 Abril 2006
Sobre a moção de que se fala
Programas da manhã
25 Abril 2006
Neoconservadorismo e posicionamento dos EUA nas relações internacionais
Ever since I can remember, I’ve been a neo–something: A neo-Marxist, a neo-Trotskyist, a neo-Liberal, a neo-Conservative; in religion a neo-Orthodox even while I was a neo-Trotskyist and neo-Marxist. I’m going to end up a neo–that’s all, neo dash nothing. Irving KristolExistem razões históricas para este trajecto: nos anos 60, um grupo de intelectuais quis demarcar-se das políticas do New Frontier de JFK:
Neo-conservatism is the secular political philosophy that defined the reaction of a group of former liberals to what they felt was Democratic Party's policy of appeasement toward the Soviet Union - most especially the USSR's treatment of its Jewish population and its relations with the Arab World. They are a small but influential group of writers, commentators and government officials. Godfrey Hodgson, "The World Turned Right Side Up"O Judaísmo, o Realismo e o Pessimismo no pensamento neoconservador: O movimento neoconservador é predominantemente de origem judaica (a publicação mensal mais antiga - a Commentary - é publicada pelo The American Jewish Committee); importa, contudo, notar, que a comunidade judaica norte-americana é maioritariamente liberal (no sentido norte-americano do termo), numa lealdade histórica muito rígida, que persiste desde a decisão de entrada dos EUA na 2.ª Guerra Mundial assumida pelo Presidente Franklin D. Roosevelt (Democrata). Apesar da matriz judaica, existem alguns proeminentes católicos e cristãos que abraçaram também o credo neoconservador. Os neoconservadores começaram a distanciar-se do New Frontier assumindo, na linha do pessimismo hobbesiano, um realismo muito particular em matéria de política externa. Irving Kristol, numa das suas frases mais famosas, definiu um neoconservador como sendo "um liberal assaltado pela realidade". O posicionamento neoconservador resume-se na frase de Thomas Hobbes, "a condição [natural] do homem é a guerra de todos contra todos". Este realismo não se esgota contudo numa abordagem meramente analítica, uma vez que os neoconservadores se doutrinam politicamente para o plano da acção; nesse sentido se compreende que o realismo pessimista neconservador manifeste um certo apreço pelo pensamento político de Maquiavel, quer na ideia que "os homens estão mais dispostos ao Mal do que ao Bem", quer na subordinação dos meios aos fins. O receio do Holocausto e a defesa da Guerra Preventiva; maniqueísmo e recusa da ideia de Paz: A esta doutrinação para a acção não será alheia, nem a origem judaica de uma boa parte dos neocons, nem a marca do Holocausto. Não é aliás possível compreender o neoconservadorismo se não se tiver presente que este genocídio matou centenas de milhares de judeus com ligações familiares a muitos dos actuais políticos norte-americanos (como é o caso de Paul Wolfowitz, ex-Subsecretário de Estado da Defesa, actualmente no Banco Mundial); Perle, um dos mais proeminentes neoconservadores, em entrevista à BBC, corrobora esta ideia, quando afirma peremptoriamente: "o momento que define a nossa história é, por certo, o Holocausto". O Holocausto ajuda a explicar também a forma incisiva como os neoconservadores têm vindo a defender e desenvolver o conceito de guerra preventiva; nesse sentido aponta também Perle, na mesma entrevista à BBC:
[o Holocausto] tratou-se da destruição, do genocídio, de todo um povo, e do fracasso de responder a tempo a uma ameaça. Não queremos que ocorra de novo. Se temos a capacidade para deter os regimes totalitários, fá-lo-emos, porque se falhamos, os resultados podem ser catastróficos.
O pensamento neoconservador denota ainda uma forte tendência para o maniqueísmo, percepcionando o mundo como uma luta permanente entre as forças do Bem e do Mal, entre a Luz e as Trevas. Aliás, quer a definição de um Eixo do Mal, após o 11 de Setembro, quer a divisão que Bush efectuou na comunidade internacional ("With us or against us") estão claramente sob influência deste maniqueísmo neoconservador. A Paz é vista como algo de Utópico; na linha de Hobbes, Michael Ledeen, colaborador próximo de Perle no American Enterprise Institute, afirma sem reservas: "Sei que a luta contra o Mal será eterna". Robert Pollock, por seu lado, num artigo publicado no The Wall Street Journal, manifestou a sua desconfiança pelos processos de paz: "a paz não resulta de qualquer processo". Para os neoconservadores, a guerra é um estado natural da Humanidade e a Paz não é só um sonho utópico, como induz à "brandura", à "decadência" e ao "pacifismo". Estes valores, "combinados com o mito de que a Paz é normal" - escreveu Ledeen - representam "a corrupção da missão nacional (...) produzindo um anestésico tão forte que é capaz de desvanecer a fortaleza das forças armadas e a integridade dos líderes políticos e militares". O mesmo Ledeen, num editorial publicado no The Wall Street Journal, antes da guerra com o Iraque, sustentou que em caso algum se deve negociar com o inimigo: "Antes que os Estados Unidos possam preocupar-se em reconstruir o Iraque, devem vencer militarmente e de uma maneira decisiva". Os neoconservadores vivem, assim, em constante sobressalto, considerando prioritária a construção de um poderio militar capaz de derrotar qualquer inimigo: é essencial antecipar as ameaças e desenvolver uma vontade de as prevenir. Estes traços estão presentes no actual diferendo entre o Irão e os EUA; por um lado, os EUA procuram encontrar uma legitimidade internacional para poder intervir preventivamente no Irão; por seu lado, o líder iraniano não resiste a provocações, nomeadamente negando, com pompa e circunstância, o Holocausto, procurando desta forma provocar este núcleo nevrálgico da Casa Branca. A Superioridade Moral dos EUA: Para os neocons, os EUA são actualmente o povo que mais se aproxima daquilo que consideram ser a bondade moral; afirma Elliot Abrans, membro do Conselho de Segurança da Casa Branca:
cometemos muitos erros desde o surgimento dos Estados Unidos como potência mundial há um século atrás, mas fomos também a maior força ao serviço do Bem entre as nações da terra. Uma redução do nosso poder de influência fará mal ao nosso país, aos nossos amigos e aos nossos princípios.
Tal supremacia moral funciona como justificação e até requer uma política unilateral, livre da influência de países estrangeiros e tratados e organizações internacionais; daí que os EUA sejam actualmente um dos maiores opositores de organizações como o TPI ou a ONU; as afirmações de Charles Krauthamer ao The Washington Post não deixam margem para dúvidas: "Deixemos que [a ONU] se afogue". Para Perle, ter permitido que o Conselho de Segurança das Nações Unidas tivesse intervindo na questão do Iraque teria sido algo de perigosamente errado, "que teria conduzido inexoravelmente à concessão de um poder de decisão moral e até existencial, em matéria político-militar, a países como a Síria, os Camarões, Rússia, China ou França". Todos os conceitos acima apresentados são essenciais para se poder compreender aquilo que são as diferentes posições dos EUA e da Europa na cena internacional, bem como a raiz de uma certa beligerância que ressurge nos anos 90, no Pós-Guerra Fria, e se agudiza nos mandatos de George W. Bush. A marca neoconservadora está presente no receio de um novo Holocausto, na protecção de Israel contra a ameaça dos países inimigos do Médio Oriente, no clima de Guerra Permanente, por oposição a uma Paz Duradoura, na defesa da legitimidade da Guerra Preventiva e na desqualificação moral das instituições internacionais. Rodrigo Adão da Fonseca
24 Abril 2006
Leituras: "America at the crossroads"
Blue Lounge recomenda: Dia D
Hoje, os destaques da Dia D vão para as excelentes colunas do AAA e do JCD:
A Constituição do nosso atraso, por André Azeredo Alves.
O Expresso do Oriente, por João Caetano Dias.
Rodrigo Adão da Fonseca23 Abril 2006
21 Abril 2006
Sobre os quasi-trolls de JPP
Blue Lounge Recomenda: no DE
A verdadeira natureza dos "repos"
- Desde logo, com a previsão no acordo de uma recompra, que coincide com o reembolso do capital financiado;
- Apesar da propriedade jurídica se transferir para o adquirente - em geral uma instituição de crédito - os direitos de voto via de regra são contratualmente mantidos na esfera do alienante, que deste modo, e no plano societário, continua a poder exercer na plenitude os respectivos direitos sociais (como, aliás, resulta do teor da própria notícia da edição em papel);
- O direito ao próprio dividendo deverá permanecer economicamente na esfera do alienante, reflectindo-se no custo do financiamento.
Numa noite de insónia, em que persiste a luz, e tardam as sombras
20 Abril 2006
Blue Lounge recomenda: Blue Wine
A partir de amanhã à venda, esta revista resulta de uma parceria entre a Essência do Vinho e a Blue Media.
Obrigatória para os apreciadores e curiosos do vinho.
Rodrigo Adão da Fonseca
19 Abril 2006
Dia da Memória
Não sou judeu, mas sempre simpatizei com o espírito errante deste povo que foge para preservar a sua identidade, que honra as suas raízes e as suas tradições, que ama o saber.
O povo judeu, ao longo dos tempos, tem sido ora amado ora odiado. Eu, pessoalmente, opto apenas por respeitá-lo: afinal, é esse o pressuposto da tolerância, longe das paixões.
O Nuno Guerreiro é um desses judeus errantes que aprendi a respeitar, à medida que fui desvendando a sua Rua da Judiaria, um dos caminhos obrigatórios que percorro diariamente.
Talvez seja ignorância minha; ou, infelizmente, mais uma manifestação da incapacidade bem portuguesa de assumir os erros da História. Não conhecia - nem conheço - os contornos do anti-semitismo do século XVI, nem sequer imaginava que teria existido um massacre em Lisboa, onde terão morrido milhares de judeus, no dia 19 de Abril de 1506.
Não podendo estar no Rossio, hoje, acendo aqui a minha vela. Não pelos mortos - não se recorda aquilo que não conhecia -, mas em homenagem à «memória», essa enorme fonte de (re)conhecimento. A ausência de memória conduz com frequência à triste repetição da História. Junto-me assim com uma vela blue, para que a História não se escreva novamente com uma pena manchada de sangue.
Rodrigo Adão da Fonseca
18 Abril 2006
O Erro de Fukuyama
A Europa Ocidental pós-queda do Muro adormeceu anestesiada pelo seu próprio conforto, convencida que o modelo político prevalecente seria capaz de assegurar eternamente a prosperidade e o progresso. Fukuyama (Fim da História e o Último Homem) avalizava este estado de espírito, sentenciando que uma pretensa "democracia liberal" teria vencido a dialéctica mantida com o marxismo: esta síntese marcaria o "ponto terminal da evolução ideológica" e o modelo político ocidental representaria a "forma final de governo humano". A Humanidade teria agora que se concentrar, apenas, no aperfeiçoamento do modelo vencedor, supostamente capitalista.
Longe de serem "liberais", parte das democracias ocidentais mergulharam nos seus enganos, convictas que por via de amplos consensos e de leis prescritivas – a que se foi dando dignidade constitucional – se poderia conformar toda a realidade. Esta "cosmovisão", fortemente focalizada no universo político, está a desagregar-se a um ritmo acelerado. Em particular, a ideia conservadora do assistencialismo, auto-justificada durante décadas por "fórmulas explicativas" assentes nas virtudes postulares e redentoras do "Todo", já não consegue esconder as suas contradições; começa a constatar-se não ser possível reconciliar aquilo que para várias gerações parecia fazer sentido: afinal, o "Todo" não é capaz de solucionar os problemas das "Partes". A queda destes "muros" que ainda persistem explica o clima que se vive em França e numa boa parte da Europa.
Vejamos,
Desde os anos 60 o factor trabalho tem vindo a ser excessivamente protegido nestes países que não permitem que este seja remunerado no mercado em função do seu valor real. Como bem refere Murray Rothbard (Man, Economy and State with Power and Market), os empreendedores só adquirem no presente os factores de produção que lhes permitam criar produtos que, potencialmente, possam ser transaccionados no futuro com um dado ganho; ora, na Europa, o trabalho perdeu a sua natureza pura de factor de produção: na perspectiva do trabalhador, passou a ser um direito, canonizado e protegido artificialmente por via legal; para o empreendedor, representa um encargo adicional para lá do custo necessário para a estrita produção do bem; os incentivos que resultam deste quadro conduzem a que muitos trabalhadores, em vez de se concentrarem na sua valorização, prefiram canalizar os seus esforços para as conquistas legais, negociando as suas recompensas na arena política; a excessiva protecção do trabalho conduziu à destruição da qualificação efectiva de uma parte significativa desta mão-de-obra. Os empreendedores, por seu lado, começaram a encontrar, em grande escala, noutras zonas do globo, formas de combinar os distintos factores de produção de um modo mais rentável.
O que move o mundo são os indivíduos e a sua enorme vontade de criar. A globalização ampliou o jogo da economia para uma escala planetária; as sociedades estão mais abertas do que nunca, sendo altamente delicada a arte da previsão. Estamos assim muito longe de conseguir antecipar o que a História nos reserva. Há que saber conviver com o risco e com a incerteza, acompanhando o ritmo das mudanças. O novo século joga-se na descoberta constante das suas regras: quem jogar adequadamente, sairá vencedor. Quem não for a jogo, ficará necessariamente mais pobre.
Rodrigo Adão da Fonseca
17 Abril 2006
Coloquem na agenda: Lisboa, 18 de Abril, 18 horas, UCP
As Edições Praedicare e o Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa convidam para a sessão de apresentação do livro de André Azevedo Alves, «Ordem, Liberdade e Estado». Uma reflexão crítica sobre a filosofia política em Hayek e Buchanan, a ter lugar na Sala D. Henrique o Navegador, do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa (Palma de Cima), no próximo dia 18 de Abril de 2006, às 18.00 horas, com apresentação de Rui Ramos. A sessão será presidida por João Carlos Espada.Eu não vou poder estar presente, embora fosse essa a minha vontade. Um grande abraço ao André e ao Gabriel; espero que tudo corra pelo melhor nesta vossa incursão à capital. Rodrigo Adão da Fonseca
Faltas a vermelho
Links actualizados
Dia D
Hoje, o Blue Lounge estreia-se na revista Dia D, com um texto designado «O Erro de Fukuyama». Na excelente companhia do Adolfo Mesquita Nunes e do seu «O quarto de brinquedos».
Rodrigo Adão da Fonseca
14 Abril 2006
Jardim das Oliveiras
13 Abril 2006
12 Abril 2006
A noção de bonus pater familias para o STJ (aditado)
Colecção Berardo - Paula Rego (ver mais aqui)
Esta frase é de um inegável bom-senso. É geralmente aceite no nosso ambiente cultural que a autoridade paternal implica, por vezes, a aplicação de castigos físicos leves, desde que não ultrapassem a barreira da violência, sendo adequados e proporcionais ao comportamento assumido pelo menor. O que me chocou foi, não a enunciação teórica do princípio, mas a latitude das situações concretas que, segundo o STJ, se acomodam na conduta de um bonus pater familias. Assim, a arguida foi ilibada, apesar de terem sido dados como provados, entre outros factos, que:
A partir de 1992 até 12 de Janeiro de 2000 a arguida por várias vezes fechou o BB à chave, na despensa, com a luz apagada, quando este estava mais activo, chegando o menor a ficar fechado cerca de uma hora. No mesmo período, por duas vezes, de manhã, em dias coincidentes com o fim-de-semana amarrou os pés e as mãos do BB à cama para evitar que acordasse os restantes utentes do lar e para não perturbar o descanso matinal da arguida. O BB é menor de idade e sofre de psicose infantil muito grave, sendo uma criança com comportamentos disfuncionais, hiperactiva e por vezes agressiva que descompensa com facilidade.Não nego que as condições específicas da arguida não devam ser ponderadas na decisão judicial, nomeadamente a sobrecarga a que ela estava sujeita, com quinze crianças a cargo, aliada à sua fraca instrução e vocação para as funções. A absolvição em si poderia ter sido acompanhada de uma censura dos actos praticados; mas não: como é possível que se conclua que, e cita-se, «Se alguém foi vítima de maus tratos foi a recorrente, como bem salientou a Sra. Juíza de Instrução Criminal»; ou ainda que:
A fuga ao politicamente correcto que existe em relação à violência contra as crianças - que conduz por vezes ao ridículo de considerar que estas são «intocáveis» - não nos deve limitar na apreciação de situações que são, objectivamente e face aos factos provados - altamente reprováveis, devendo merecer a nossa censura sem reservas. [Podem consultar o Acórdão aqui (via Basfémias)]. Rodrigo Adão da FonsecaNão foi alegado e menos provado, que a recorrente tivesse agido por malvadez, o que era uma condição essencial estabelecida na lei que vigorava em 1992. Aliás está provado o contrário, pois consta da sentença que a arguida amarrou o BB à cama, por duas vezes, para evitar que ele acordasse os restantes utentes do lar e não perturbasse o seu descanso matinal, que o fechou na despensa quando ele estava mais activo e que o BB era uma criança hiperactiva e por vezes agressiva. Os comportamentos que foram dados como provados contra a arguida podem configurar castigos eventualmente excessivos, passíveis de integrar as ofensas corporais, mas de forma nenhuma maus tratos.
11 Abril 2006
A não perder: Ordem, Liberdade e Estado
Seria dificil juntar numa só sala e em redor de um livro tantas pessoas que eu estimo e admiro. Essa proeza é da responsabilidade das Edições Praedicare - do Gabriel Silva - que promovem amanhã o lançamento da publicação do André Azevedo Alves, «Ordem, Liberdade e Estado». Uma tese de mestrado sobre a filosofia política de Hayek e Buchanan, distinguida com 19 valores, dá origem assim a um livro obrigatório para aqueles que se interessam pelo liberalismo. Apresentam a obra outros dois grandes amigos, o Paulo Rangel e Rui de Albuquerque. A sessão será presidida pelo Professor José Manuel Moreira.
Quarta-feira, 12 de Abril, no Rivoli (Cafetaria-Bar, 3.º piso) do Porto: às nove e meia da noite. A não perder.
Rodrigo Adão da Fonseca
A crise da identidade europeia
10 Abril 2006
Colecção Berardo
Blue Tax: Esclarecimento sobre IVA - obrigatoriedade e requisitos de emissão de facturas nas prestações de serviços
1. A identificação dos adquirentes ou destinatários de bens e serviços é uma das menções legalmente exigidas nas facturas ou documentos equivalentes, a cuja emissão se encontrem obrigados os sujeitos passivos de IVA [cfr. artigo 35.º, n.º 5 do Código do IVA, maxime a alínea a)]. 2. O n.º 3 do Despacho do Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais vem - com base nos pressupostos no mesmo detalhados e para os casos em que seja legalmente exigível a emissão de facturas - aceitar como válidas facturas ou documentos equivalentes que não contenham a identificação do destinatário dos serviços, desde que: • Se reportem a prestações de serviços; • Os destinatários não sejam outros sujeitos passivos de imposto (v.g. que destinem os serviços adquiridos ao exercício de uma actividade comercial, industrial ou profissional e pretendam exercer o direito à dedução do IVA liquidado na factura); • Essas prestações de serviços sejam massificadas e correspondentes a consumos próprios de particulares (ou seja, emitidas em circunstâncias em que a obtenção da identificação dos destinatários dos serviços pode não ser viável, designadamente por estes não fornecerem estes dados). 3. Tal significa que, por exemplo, uma factura de restaurante, quando seja obrigatória a sua emissão (v.g. porque de valor superior a 9,98 euros) será considerada válida ainda que não contenha a identificação do destinatário dos serviços, desde que este não seja outro sujeito passivo de imposto ou, sendo-o, tenha agido como um particular sem disponibilizar a sua identificação, incluindo o número de identificação fiscal.[Comunicado disponível aqui]. Rodrigo Adão da Fonseca
Afinal, não foi desta que a blogosfera implodiu
Foi tal a convicção com que o PPM anunciou o fim da blogosfera que eu estava genuinamente à espera da implosão do Blue Lounge.
Afinal, a décalage da blogosfera não atingiu este cantinho azul, pelo que, enquanto conseguir, a porta fica aberta.
Rodrigo Adão da Fonseca
09 Abril 2006
Apocalipse! O fim da blogosfera está próximo!
Bem-aventurado aquele que lê e bem-aventurados os que ouvem as palavras desta profecia e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo.
As estrelas do céu caíram sobre a terra, como quando a figueira, sacudida por um vento forte deixa cair os seus figos verdes.
E o céu recolheu-se como um livro que se enrola; e todos os montes e ilhas foram removidos dos seus lugares.
E os reis da terra, e os grandes, e os chefes militares, e os ricos, e os poderosos, e todo escravo, e todo livre, se esconderam nas cavernas e nas rochas das montanhas.
(Do livro do Apocalipse)
O fim está próximo!
Rodrigo Adão da Fonseca
06 Abril 2006
Blue Tax: IVA (requisitos das facturas)
Face à redacção do Ofício-Circulado, tenho as maiores dúvidas - para não dizer, certezas - que as regras de identificação do cliente se apliquem à generalidade das transacções em que os adquirentes sejam particulares. Os requisitos dos artigo 35.º do Código do IVA destinam-se sobretudo a operações que conferem direito à dedução, não fazendo sentido onerar as empresas com requisitos de facturação sem qualquer alcance prático, nomeadamente a obrigatoriedade de identificação do cliente particular nas suas operações correntes. A leitura que faço é, aliás, distinta daquela que li nos posts acima indicados: penso que este Ofício-Circulado vem esclarecer serem válidas as facturas que não contenham a identificação do destinatário ou a indicação do respectivo número de identificação fiscal, que titulem prestações de serviços massificadas e quando o adquirente seja um particular. Outro aspecto é que fica claro que todas as transacções têm de ser tituladas por uma factura, ainda que, nas operações em massa, a facturação assuma uma forma mais simples. Rodrigo Adão da FonsecaOfício-Circulado n.º 30.091, de 5 de Abril - Direcção de Serviços de IVA (...) 1 - Nas prestações de serviços cujos destinatários sejam sujeitos passivos do IVA, as facturas devem, no momento da sua emissão, conter a identificação do destinatário, bem como o respectivo número de identificação fiscal. O conteúdo das facturas processadas em computador deve provir integralmente de programas de facturação. 2 - Nas prestações de serviços cujos destinatários sejam particulares, a identificação do destinatário dos serviços deverá ser aposta na factura, não sendo exigível a indicação do respectivo número de identificação fiscal. 3 - Não obstante o disposto no número anterior, no caso de prestações de serviços massificadas correspondentes por regra, a consumos próprios de particulares e caracterizadas pela sua uniformidade e frequência, podem aceitar-se como válidas as facturas que, cumprindo os restantes requisitos legais, não contenham a identificação do destinatário. (...)
04 Abril 2006
Blue Tax: Todos os caminhos da cobrança de impostos vão dar ao Cidadão Comum
03 Abril 2006
Blue Lounge recomenda
Na revista Dia D, que acompanha o jornal Público (sem link), Sexo, Drogas e Multibanco, por Luís Aguiar-Conraria.
Rodrigo Adão da Fonseca































