Rodrigo Adão da Fonseca
No luxury and no comfort, no delight and no pleasure, no new liberty and no new discovery, no praise and no flattery, which we may enjoy on our journey, will mean anything to us if we have forgotten the purpose of our travels, and the end of our labours. Isaiah Berlin
31 Julho 2006
O "mito do capitalismo popular"
Blue Lounge recomenda
29 Julho 2006
Com este argumento, quem caiu da cadeira fui eu
Registo que nos últimos dias a ideia de abandonar Portugal também passou pela cabeça de Manuel Alegre, depois de ter percebido que nem aos 70 anos um antigo adversário do dr Salazar tem direito a reforma... (José Medeiros Ferreira, Bichos Carpinteiros)Tenham vergonha, e chorem em privado. Rodrigo Adão da Fonseca
28 Julho 2006
Blue Lounge recomenda: FRIENDS PARTY @ VISEU, este Sábado
Blue Lounge Recomenda
A paralisia europeia numa região do mundo que faz parte da sua esfera geopolítica vem desse anti-americanismo, em que a Europa, em grande parte por pressão de uma França pós-gaullista, se deixou enredar tornando-a irrelevante. Ver um estado que foi uma criação francesa como o Líbano hoje ser vassalo da Síria e assistir à completa impotência militar e política da França é apenas o sintoma maior da mesma impotência da União Europeia separada dos EUA. José Pacheco Pereira, no Abrupto.Vale a pena ler todo o post ISRAEL, A ESQUERDA E A DIREITA, AMERICANISMO, ANTI-AMERICANISMO. Rodrigo Adão da Fonseca
27 Julho 2006
Abrupto
Blue Lounge recomenda: cultura, comércio e confusões
As Bodas de Canã
26 Julho 2006
Uma série de perguntas simples
De Sueste, sopra uma boa brisa
Independentemente das considerações sobre que o melhor sistema de Segurança Social, há uma coisa que gostava de frisar: nenhum sistema de Segurança Social garante a sustentabilidade financeira; ou melhor, só há um que garante isso - aplicar o dinheiro dos descontos em conservas e congelados para comer depois da reforma. (...) Primeiro, vamos imaginar um caso extremo de envelhecimento da população: que a população activa se reduzia a... zero. Ai um sistema de repartição deixava obviamente de funcionar: não haveria ninguém para descontar para pagar as reformas; mas um sistema de capitalização também deixa de funcionar: se não há ninguém para trabalhar, as empresas também deixam de funcionar, logo não distribuem rendimentos e os fundos de pensões também não têm receitas para pagar as pensões; quanto ao velho sistema de os filhos sustentarem os pais na velhice também não funcionaria pelas razões óbvias (ou seja, a única forma de os reformados sobreviverem seria se tivessem acumulado as tais conservas e congelados). (...) Claro que se pode argumentar que a produtividade pode aumentar, fazendo assim que os lucros das empresas não caiam, e salvando o sistema de capitalização; mas, nesse caso, o sistema de repartição também está salvo: o aumento da produtividade, possivelmente, levará ao aumento dos salários (que se irá juntar ao aumento criado pela escassez de mão-de-obra), logo, as contribuições também não caiem.O que o Miguel por aqui diz não deixa de ser um raciocíonio especulativo interessante; só que pressupõe, desde logo, que o envelhecimento teria de ser global, de ocorrer a uma escala planetária; ora, qualquer aforrador pode investir o seu capital numa empresa que actue numa zona do globo onde, v.g., a taxa de natalidade seja positiva, haja reposição de gerações, a mão-de-obra seja abundante e as empresas acumulem lucros; ao contrário do que se quer fazer crer em Portugal, a economia global não está "em crise"; está a nossa, mas há muitas zonas do globo a crescer a taxas, em muitos casos, de dois dígitos; pode sempre optar-se por colocar as poupanças num "congelador" que não entre em "degelo"; há um mundo de possibilidades num sistema de capitalização que não estão ao dispor dos sistemas actuais de previdência (que não podem, v.g., forçar os chineses da China a descontar para nossa Segurança Social; num sistema de capitalização, contudo, pode aproveitar-se o esforço chinês para ajudar a garantir as reformas). Obviamente, não há soluções sem risco (os regimes de capitalização acarretam riscos). Mas uma coisa é certa; o actual modelo de previdência, não peca pelo risco, mas pelo facto dos seus pressupostos conduzirem à sua própria insustentabilidade Se o envelhecimento for global, então aí, o raciocínio do Miguel faz todo o sentido, e problema resolve-se por si: acaba a humanidade, e nesse contexto não são necessárias reformas! Rodrigo Adão da Fonseca
25 Julho 2006
Blue Photo: Loretta Lux
Colaboração com a Revista Atlântico
A partir do número de Agosto, vou colaborar com a Revista Atlântico. Ao longo dos últimos meses considero que o Paulo Pinto Mascarenhas e Cia. têm feito um grande esforço no sentido de melhorar a qualidade da revista, tornando-a plural, nas abordagens e nos temas, sem deixar de manter uma coerência editorial rara em Portugal. A revista consegue além do mais conjugar temas sérios com colunas descontraídas e variadas (algumas, até, das supostamente menos destacadas, são para mim as mais interessantes) que a tornam valiosa do início ao fim.
Por me rever com a nova abordagem da revista, aceitei de bom grado e motivado a colaboração proposta; numa fase inicial, irei dinamizar um espaço onde vamos lançar para o debate reflexões, num prisma liberal, sobre algumas áreas das políticas públicas onde impera um franco défice de discussão. Apenas escreverei sobre temas que domine, e assumo com os leitores o meu habitual compromisso de apresentar artigos cuidados e previamente bem estudados. Quem me conhece, sabe que estou fora da escrita a "metro".
Irei, assim, procurar contribuir para um debate ainda estéril em Portugal: não o da discussão do liberalismo - que existe - mas o das políticas públicas, num prisma liberal, cujos pressupostos não são necessariamente os mesmos. Pretendo, assim, dar o meu pequeno contributo para uma alternativa liberal, ao nível das ideias, e no plano das políticas, num exercício de cidadania.
No número de Agosto, debate-se aquele que tem sido o sector que carece de uma maior e mais urgente reforma, e que, embora ténue, tem sido já promovida pelos três últimos governos - a Saúde e o SNS. Quem estiver à espera de silogismos fáceis, não vai gostar do artigo; o debate, ainda assim, está em aberto.
E até ao número de Setembro!
Rodrigo Adão da Fonseca
PS: A capa deste número é fenomenal.
24 Julho 2006
21 Julho 2006
Blue Photo: Shirin Neshat (com adenda)
O Blue Lounge gemina-se ao Fast, Loud & Nasty
20 Julho 2006
Este é um caso que só o Inspector Bunda pode resolver
Blue Photo: Eddie Adams
Quem abra os jornais, as revistas, as televisões, fica com a sensação que o país e o mundo estão a "arrumar as gavetas" para ir de férias. O que não deixa de ser parcialmente verdade.
A maior parte do planeta, porém, hoje, apenas está preocupado em saber o que vai comer amanhã. Em sobreviver. Esse mundo, para muitos de nós desconhecido, vive com enormes dificuldades. Esta pobreza, em geral, é-nos apresentada como se fosse longinqua, típica dos países do Terceiro Mundo. Só que não a é em exclusivo. Em Portugal também existe muita pobreza; e ainda mais miséria. E, nesta altura das férias, custa-me ver como algumas pessoas exibem por vaidade, os seus luxos, as suas pequenas escravaturas, as suas míseras ego-realizações.
Viver as férias, para mim, é poder beneficiar de um justo momento de descanso. Cada um, penso, deve fazê-lo dentro das suas disponibilidades financeiras. Mas com genuinidade. Sem vaidades. Sem escravaturas nem falsas prioridades. Com prazer, sim. Com satisfação. Fazendo até, se for caso disso, excessos. Mas não deixem que as férias sejam mais um motivo para piorar as vossas vidas. Que se transformem numa fonte de stress. De dívidas. De discussões. Não se deixem iludir por falsos fogos fátuos, cujo lume acaba por queimar - e bem - no momento do regresso a casa, à "normalidade". Gozem, sim, as vossas férias, mas com um forte sentido dos outros: de família, de amizade, de respeito pelos que vos rodeiam.
A todos os que estão de partida, boas férias. Eu ainda fico por cá. Por mais uns dias.
Este post serve, também, para recuperar aquele que é o let motiv deste blogue (mensagem que procuro viver diariamente desde o dia em que a li, seja aqui, na minha dedicação ao Blue Lounge, seja na minha atitude quotidiana). Uma frase (atribuída) a alguém que foi muito mais do que um filósofo, um pensador do seu tempo, sempre atento à realidade; um senhor, que pensou para um mundo habitado por pessoas, que pensou, além do mais, para elas (talvez por isso foi tantas vezes menorizado por alguns dos que se julgavam seus pares); um amante das liberdades concretas, substantivas, Isaiah Berlin:
No luxury and no comfort, no delight and no pleasure, no new liberty and no new discovery, no praise and no flattery, which we may enjoy on our journey, will mean anything to us if we have forgotten the purpose of our travels, and the end of our labours.Rodrigo Adão da Fonseca
17 Julho 2006
Blue Stories: "Bobas"
15 Julho 2006
Passagem de elefantes
Elefantes na água optimistas à solta optimistas à solta elefantes na árvore elefantes na árvore optimistas na esquadra optimistas na esquadra elefantes no ar elefantes no ar optimistas em casa optimistas em casa elefantes na esposa elefantes na esposa optimistas no fumo optimistas no fumo elefantes na ode elefantes na ode optimistas na raiva optimistas na raiva elefantes no parque elefantes no parque optimistas na filha optimistas na filha elefantes zangados elefantes zangados optimistas na água optimistas na água elefantes na árvoreRodrigo Adão da Fonseca
14 Julho 2006
Na noite em que o Mago Merlin foi à SIC Notícias...
11 Julho 2006
10 Julho 2006
Sobre o perigoso caminho da discussão do "Utilitarismo"
- que o utilitarismo tem uma expressão ética;
- que existem vários utilitaristas, desde Bentham a Stuart Mill, cuja ética está fortemente enraizada em algumas das correntes do pensamento liberal clássico.
O homem, numa abordagem liberal, não é super, tem uma capacidade limitada; mas ele não é um ser passivo. Também não existe o "homem liberal" - ou "liberal praticante" - nem o "homem estatista" - ou "estatista praticante". Existem, sim, atitudes liberais e socialistas. Que têm subjacentes ideias. Por isso, mas do que o "quem", deve preocupar-nos o "quê". A força das ideias está precisamente na capacidade que têm de fazer alinhar os esforços individuais; um indivíduo - ou um conjunto de indivíduos - com ideias claras é capaz de antecipar a mudança e inovar. Significa isto ser um agente activo do processo social. Um indivíduo - ou um grupo de indivíduos - poderão não ser a alanvanca da mudança. Mas podem antecipá-la e influenciá-la. O grande desafio, hoje, por isso, está precisamente em saber eleger uma agenda liberal, em saber separar a teoria da prática; não submetendo a teoria à prática, nem vice-versa. Conhecer bem os conceitos centrais do liberalismo é um pressuposto essencial para, nos dias de hoje, poder perceber o mundo complexo em que vivemos; ajuda a trilhar caminhos, a "liberalizar". Todos os dias o mundo muda. É bom ter ideias - que nos ajudem a fazer as escolhas, acompanhando a mudança - no sentido que se julgue mais correcto. É esta a força - e o interesse prático - das ideias. Ajudar a encontrar as respostas num mundo complexo, marcado pela mudança.Rodrigo Adão da Fonseca
Destaques Dia D
04 Julho 2006
Vitória de Pirro
Blue Photo: Andreas Gursky
03 Julho 2006
Destaques de hoje na Revista Dia D
Oposição liberal e reformista moderada
Caro Paulo Gorjão: Julgo que o JPP no seu artigo não pretendeu, no limite espacial de uma coluna, desenhar de raiz um novo ideário liberal para o PSD. Por isso dificilmente poderias encontrar aqui, de uma forma expressa, as respostas às questões que colocas (penso que caem fora do âmbito). Eu li a coluna de JPP como uma crítica ao unanimismo e ao adormecimento que se tem gerado em redor de José Sócrates, no elogio vago à sua "intransigência", "coragem" e "ambição" no sentido de "salvar" o Estado Social, vírus que já contagiou várias figuras da primeira linha do PSD. Marques Mendes, por seu lado, não faz uma verdadeira oposição, como eu apontei, v.g., aqui, por não conseguir sair daquilo que é o discurso e a linha do Governo e dos ditames da pequena política. JPP acena com a recordação do "pântano" guterrista, um lago de águas calmas mas lamacentas que atolaram o país no lodo. No fundo, questiona JPP, não só se não é possível fazer mais, como se não será necessário e urgente fazer diferente. Pergunto eu:
- Na Segurança Social, não é imprescindível alterar o paradigma do sistema, avançando para soluções mistas de capitalização individual? Será viável manter-se este regime de caixa? É suficiente acrescentar-se "mais um número ao totoloto", aumentando apenas a idade da reforma?
- Como se explica que um país com uma taxa de desemprego em crescimento tenha tanta necessidade em recorrer a mão-de-obra estrangeira? Faz sentido persistir no rendimento mínimo e num subsídio de desemprego mal montado, que teima – apesar das restrições recentes – em criar incentivos errados, no sentido do imobilismo e da rigidez do factor trabalho?
- O apoio e a prioridade dada pelo Governo aos PIN’s – os tais projectos de interesse nacional – não se traduzem numa gravosa violação de uma sã concorrência?
- Deve o Estado absorver 50% de toda a riqueza produzida?
- Será que o país se pauta por um ritmo de verdadeira exigência? Será que o discurso do governo, de suposta exigência, na prática, encontra acolhimento nas políticas públicas implementadas em cada sector?
Entre várias outras interrogações que se impõem. Uma oposição que se preze deve não só questionar como procurar as respostas: tal traduz-se num exercício extenso, que obriga, no mundo complexo em que vivemos, a um trabalho sério e apurado, que não se esgota nem reduz aos limites estritos de uma coluna de opinião. O liberalismo, como bem dizes, não é, de facto, uniforme (embora seja duvidoso, por isso mesmo, que possa ser classificado de doutrina), desmultiplicando-se, na verdade, em várias correntes: elas têm, contudo, um leito comum (como um rio, que desagua sempre no mar). Em Portugal existe já uma significativa reflexão em redor daquilo que são as grandes correntes do liberalismo; não tem, contudo, havido quem de uma forma coerente e sistemática paute a sua atitude política concreta a partir de um prisma liberal (o que não é necessariamente a mesma coisa). As políticas públicas deveriam atender ao país em concreto; as soluções estão condicionadas pelos recursos existentes, pela cultura do povo, pelas condições da economia global, pela viabilidade das medidas tomadas. O que se quer são decisores que saibam, a partir de uma abordagem liberal, fazer novas opções. JPP lançou o repto. Uma oposição, um programa de governo, constroem-se, não nascem por geração espontânea a partir de uma cartilha ideológica; é uma oposição construtiva, a partir de bases claras – que não ande a reboque do imediatismo mediático e das lógicas eleitoralistas – que tem faltado. Uma oposição de matriz liberal serviria esse propósito. Cabe contudo aos partidos e aos políticos – na ausência de think tanks e de um jornalismo de opinião com capacidade de afirmação – esse papel. Que não tem sido assumido.
Um abraço,
Rodrigo Adão da Fonseca









