Aborto e Impostos

Ohad Meromi
Ao contrário daquilo que é a convicção geral, dá-me ideia que, caso vença o Sim, a maior parte dos abortos serão praticados fora do SNS. O Sim, nos termos referendados, traduz-se num aborto a pedido. Ora, como é sabido, há uma certa resistência em boa parte da classe médica, por questões éticas, em praticar abortos a pedido. O custo médio, por aborto, numa clinica especializada não será expressivo, abrindo uma frente de negócio atractiva, no eixo "simplicidade do acto médico" com "elevado potencial de rentabilidade". Caso vença o Sim, a privatização do aborto agradará aos médicos: quer aos que têm resistências éticas, porque assim não irão chocar com a necessidade de os realizar nos hospitais onde trabalham; quer aos que são a favor do aborto, alguns dos quais irão aproveitar esta janela de oportunidade para engordar o porquinho mealheiro. O próprio resguardo e privacidade adicionais que uma clinica privada garante, em relação ao público, num acto desta natureza, será também decisivo. Alguém acredita que por menos de 500 euros - pagos em suaves prestações - haverá uma deslocação maciça da procura para o serviço público? Rodrigo Adão da Fonseca

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