29 Novembro 2007

Blue Photo: Peter Lindbergh

Naomi Campbell, Tatjana Patitz, Christy Turlington, Linda Evangelista, Cindy Crawford, for British Vogue Cover, Brooklyn, New York, 1991
Rodrigo Adão da Fonseca

26 Novembro 2007

24 Novembro 2007

O pior eram mesmo os desenhos animados (II)

Foi nos anos 80 que comecei a embirrar com a propaganda socialista. Já aos sete anos votimava quando a TVE insstia em passar os desenhos animados do Osito Misha, a mascote dos Jogos Olímpicos de Moscovo, que nos mandava uma carta de um "lejano país", nos convidava a todos a visitar a União Soviética, "para bailar y disfrutar sin fin", e nos cantava, "si me sigues seras feliz".
Rodrigo Adão da Fonseca

O pior eram mesmo os desenhos animados

A Rititi, e bem, destaca as virtudes dos adolescentes que tiveram a sorte de crescer nos anos 90. E aponta o dedo às gerações anteriores:
Não há quem nos chegue aos calcanhares, por muito que os adoradores dos anos 80 insistam em fazer-nos acreditar na magia daquela década decadente e bizarra (...). Sim, amores, já podem ir mandando bitaites que não têm razão: os que nasceram antes de 1970 são uns cotas que deveriam deixar de invejar-nos e tentar ser felizes com a maturidade e a calvície.
Para acrescentar:
Educação musical, querida Carla,e psico-social também. Porque qualquer que tenha sido obrigado a aprender a dançar em público (e em frente a toda a turma numa discoteca para adolescentes, ai mãezinha) com os Dee-Light nunca na vida de adulto teve um complexo.
A geração dos nascidos nos anos 70 é mesmo à prova de bala. E não apenas porque aprendeu a dançar em frente à turma toda. Se conseguimos sobreviver aos desenhos animados dos anos 80 com que nos tentaram traumatizar, estamos prontos para a guerra. Quantos conseguiriam ser adultos normais depois de submetidos a horas infinitas dos programas desse grande educador que foi o Vasco Granja, aos Mishas, Naranjitos e Heidis? Bem, dizer que somos normais é talvez um exagero: ainda hoje tenho pesadelos com o reencontro do Marco com a sua mamã. Quem compactuou com esta barbárie merece ser severamente punido!

Rodrigo Adão da Fonseca

23 Novembro 2007

Ortodoxia musical

Feminismo pós-moderno A versão do feminismo que o Pedro Mexia mais aprecia é a das Sleater-Kinney. A minha é a das Cansei de Ser Sexy, sendo que num ou outro momento intelectualmente menos exigente me não importava de ser mandado por Jennifer Lopez. Mas claro que podemos chegar a um entendimento. Por exemplo, as Cansei de Ser Sexy a tocarem "I Wanna Be Your J.Lo", um mash de "Jennifer from the Block" (da senhora Lopez) e "I Wanna Be Your Joey Ramone" (das senhoras Kinney). Francisco Mendes da Silva, 31 da Armada
Falar de CSS é como citar Hayek ou Kirzner. Antes de o fazer, tens de te benzer. Caro FMS, um pouco de ortodoxia! "I wanna Be Your J.Lo" é razoável, mas só mesmo para fazer pontes com o "I wanna Be Your Joey Ramone". Pronto, reconheço que num dia menos exigente não me importava de ser mandado pela J. Lo. Ou pela Madonna. E que, para chegar a um entendimento, as CSS ajudam, no meu caso com a sua versão de "Hollywood", da dita dita signora (ainda assim, nesta onda de versões, prefiro "One Way or Another"). Agora, nada substitui a verdadeira ortodoxia musical, "Artbitch", "Alcohol" ou "Music is my hot hot sex". Não há que enganar! Rodrigo Adão da Fonseca

Blue Painting: Frank Stella

Rodrigo Adão da Fonseca

22 Novembro 2007

Blue Lounge - Ano III

Darren Almond, "Fullmoon Quatrain 1", 2005
Começa hoje o terceiro ano da vida atribulada - com altos e baixos, e uma ou outra interrupção - do Blue Lounge, um blogue quase esquizofrénico, com diversos estados de alma, à imagem da foto acima (e aqui do je). Blue, porque é essa a cor do FCP, da Invicta, do liberalismo, qual tríade imbatível. Lounge, porque se quer um blogue aberto mas intimista, para quem ame a estética da arte contemporânea e das suas palavras implícitas, não escritas. Aqui tenho publicado também alguns artigos de opinião, meros comentários, textos mais fundamentados, snapshots blogosféricos, alguns sons. O Blue Lounge tem-me acompanhado sempre para onde fui, nos dois últimos anos, nesta minha vida de nómada, com uma mala sempre aberta, sempre de partida ou acabado de chegar.
O Blue Lounge tem desde o início poucas ambições, vive e é feito apenas para os poucos amigos que fielmente o visitam, e que são a sua razão de ser. Obrigado por cá virem de vez em quando.
De contrário, o Blue Lounge já tinha morrido.
Rodrigo Adão da Fonseca
PS: O Portugal Contemporâneo viu a luz do dia por esta altura. Se bem me recordo. Parabéns ao Rui de Albuquerque e ao Pedro Arroja.

Blue Photo: Annie Leibovitz

Annie Leibovitz, "Untitled (The Mock Turtle's Story)", 2003
Annie Leibovitz, "Untitled (Down the rabbit hole)", 2003
Rodrigo Adão da Fonseca

Bue Lounge recomenda

Sobre a Venezuela, na revista 'Veja'. Rodrigo Adão da Fonseca

20 Novembro 2007

Blue Photo: Diane Arbus

Diane Arbus, "A Child Crying"

O país está deprimido. Mimalho. Precisa de uma nanny que tome conta dele. De carinho. De alguém que o compreenda.
Espantam-se?
Basta ver a facilidade com que choram os candidatos, público e, admito, telespectadores, de tudo o que gravita em redor do nacional-cançonetismo, seja da Operação Triunfo, seja do Família Superstar. Chora-se de alegria, de tristeza, porque sim, porque não, por qualquer coisa. O ponto máximo foi atingido a semana passada, quando uma mãe, de mão dada a uma criança de dez anos, em estado de choque, quase desfalecia em directo, depois de ter sido "excluída", enquanto a Bárbara Guimarães e um cromo que a SIC lá tem, de barbicha, procuravam disfarçar o pânico. Chora-se porque acabou a novela, ou porque morreram não-sei-quantos na estrada, ou porque a pequena Maddie nunca mais aparece. Chora-se com a Procissão das Velas em Fátima, ou porque o tratado vai ser orgulhosamente de Lisboa. País de carpideiras, o nosso.
Amanhã é dia de futebol. O resultado é uma incógnita, a chuva ou bom tempo também; uma coisa é, porém, garantida: vai haver choradeira. Seja porque nos apuramos, seja porque fomos humilhados por um bando de funcionários da Nokia. Não sei se a culpa é do fado entranhado nas veias, do D. Sebastião (que tem ar de quem chorava por tudo e por nada), do mar salgado de Fernando Pessoa, ou de uma exposição excessiva aos desenhos animados do Marco e da Heidi na infância, certo é que já lá vai o tempo em que fomos bravos; estamos feitos um país de nenucos chorões, condenados à mediania e ao paternalismo estatista.
Rodrigo Adão da Fonseca

18 Novembro 2007

A fatídica página 161

Desafia-me a Mafalda para o quizz que circula por aí, o da 5.ª linha da página 161. Já tinha respondido à Rititi, aqui, mas levam-me as boas maneiras a refazer a resposta. Vamos lá ver o que tenho aqui ao lado. O Todo-o-mundo, de Roth (D. Quixote) apresenta uma página 161 imaculada e branca (o que me resolve um potencial constrangimento que seria citá-lo à Mafalda). Fico-me então pelo Los hombres invisibles, de Mario Mendoza (Seix Barral), que já havia destacado no Blue Lounge. Não há 5.ª linha na página 161, mas estas coisas também não são para levar à letra. Até porque o capítulo acaba na fatídica página com um parágrafo que merece ser citado:
No puedo escribir más. No sé quien soy. No sé si todo esto lo he vivido o lo he imaginado. My cabeza es un cúmulo de recuerdos rotos. No tengo certezas acerca de mi pasado, el presente me parece una ilusión que no termina de convencerme y el futuro estoy seguro de que ha sido negado. Soy un hombre haciendo equilibrio en el vacío, sin nada que lo sustente. Y tengo la impresión de que aquí en adelante me esperan las bromas amargas de un Díos ebrio e irresponsable.
Não passo o quizz a ninguém, porque tenho poucos amigos, e não vou incomodar quem não conheço. Rodrigo Adão da Fonseca

Blue Photo: Steven Richter

"Venice in Snow", Steven Richter

Está um frio de rachar. Por este andar, ainda neva, num dos sítios mais imprevisíveis, em Matosinhos, junto ao mar.

Rodrigo Adão da Fonseca

Blue Art: Robert Rauschenberg (II)

"Epic (ground rules)", 1997, Robert Rauschenberg
Rodrigo Adão da Fonseca

13 Novembro 2007

04 Novembro 2007

Blue Lounge recomenda

Fim-de-semana calmo em Matosas City, junto ao mar, o melhor sítio para se estar neste Outono primaveril, a ler, a espreitar os barcos, os surfistas e kiters. Vi o Elisabeth, e só tenho pena de ter lido tarde demais a crítica do Expresso e os comentários do HR, já depois de sair do cinema; um filme miserável, de facto. Recomendo a coluna de JPP do Público de sábado.


Encerro aqui o "Out of Africa" e as fotos da Namíbia.


Para me redimir desta miséria aqui, tiro da manga uma, julgo, excelente sugestão de leitura para a Rititi (e para todos os restantes, obviamente): Los hombres invisibles, de Mario Mendoza (Seix Barral), para beber do princípio ao fim.

Obrigatória uma visita à Fundação de Serralves, para ver a exposição do norte-americano Robert Rauschenberg.

Cumpriu-se a promessa e zarpou-se às tapas y cañas do Corte Inglês. Mas, depois da bola, nada bate os preguinhos da Mauritânia Real, junto à Câmara de Matosinhos; qual Galiza, qual Gambamar, qual Cufra, os preguinhos de lombo tornam irrelevante mesmo um empate do FêCêPê com os pastelinhos de belém. E as francesinhas? Provem as francesinhas.

Por falar em francesas, nada como croissants à hora do chá. Matosas é a Meca dos croissants. E há quem diga que são franceses. Ignorantes!

Rodrigo Adão da Fonseca

02 Novembro 2007

Fui encadeado pela Rititi, e não estava a contar

Daaa-se, RAF, quem é que te manda espreitar o blogue da Rititi quando estás rodeado de livros técnicos? Foste encadeado, apanhado com a barba por fazer, não tens à mão de semear nada que te dê uma auréola de intelectual, tipo a velha que ganhou o nobel, ao menos qualquer coisa de jeito, assim do Philip Roth. Bem, é a vida: fecha os olhos ... o que temos? Xiii, Leasing Taxation, ora página 161, 5.ª linha ...

(...) There are no special VAT rules dealing with termination of leases. Penalty payments will be not taxable supplies, however in the case of cession of the lease agreement the remuneration payments will be taxable supplies (...)

[End of lease matter for Czech Republic, Leasing Taxation, página 161].

Podia ter sido pior, e sacado o European Tax Handbook, o Guia do Fisco 2007, o Código dos Valores Mobiliários anotado, o Tax Directors Handbook, o Jusprático Laboral, o Código do IVA anotado, o Plano Geral de Publicações da Euronext, ai Rititi, acho que vou mas é fechar a loja, pegar na patroa, vamos morfar umas tapas e matar umas cañas ao Corte Inglês - antes fôssemos para Itacaré - que isto de facto não é vida para ninguém. Vou lixar uns quantos também, e espero de todos uma resposta igualmente honesta (nada de armar ao Saramago): Sinapse, o que é que tens por aí à distância do teu bracinho (sempre quis saber o que lêem os yuppies da downtown de Manhattan)? E tu, Espumante? Já vi que foste encadeado antes, mas vais ter de me responder também a mim, e nada de lagostas abéeertas. O Eduardo foi um dos primeiros encadeados, já respondeu, por isso não dá. Ataco no Insurgente o badocha do Helder, no A Arte da Fuga o catalão também Insurgente Toni Amaral, e a inevitável aL, de quem espero uma bela receita e a quem prometo um dia assumir o convite pendente faz um ano na cozinha do Esturrico. É fechar os olhos, sacar um livro à sorte, quero saber o que há na 5.ª linha da página 161.