No luxury and no comfort, no delight and no pleasure, no new liberty and no new discovery, no praise and no flattery, which we may enjoy on our journey, will mean anything to us if we have forgotten the purpose of our travels, and the end of our labours.
Isaiah Berlin
O Blue Lounge nunca foi de "manifs", mas há sempre uma primeira vez para (quase) tudo. Assim, na quinta-feira, estarei com os que não andam satisfeitos com o actual estado da liberdade de expressão em Portugal. Ainda não é desta que me dedico a partir montras e a destruir campos de milho transformado, mas se as coisas não mudarem, não garanto que, daqui por uns tempos, não adira a formas mais duras de "luta".
Todos pela Liberdade | 11 Fev | 13h30 | Frente à A.R.
Os CDS's - ou "credit default swaps" - são instrumentos financeiros derivados de cobertura que se destinam a cobrir o risco de default, isto é, no caso da dívida pública portuguesa, de não pagamento por parte do Estado português. Quanto maior for o risco de incumprimento percepcionado pelos mercados - no caso, pelas entidades que estão dispostas a assumir o risco de incumprimento do Estado português - mais elevada será a remuneração exigida para os CDS's.
O aumento do risco percepcionado, retira a rentabilidade aos títulos de dívida pública portuguesa. Na verdade, quando um CDS da nossa dívida atinge 195 pontos, como atingiu hoje, este é o valor que deve ser retirado ao juro pago pelo Estado português nos seus títulos de dívida, para a comparar com a de outros países (que são os investimentos alternativos, na perspectiva do investidor). Tal implica que, nas suas emissões de dívida, o Estado português tenha de aumentar a remuneração, subindo o juro pago, para que a rentabilidade Vs risco se mantenha idêntica.
É assustadora a diferença de abordagem entre os nossos responsáveis políticos e a avaliação feita pelo exterior, no caso, a CNBC. Vêm aí tempos difíceis...
A Grécia está a ser pressionada pela UE para reduzir drasticamente o seu défice - a redução exigida é draconiana, de 4 pontos percentuais. A dada fase, o economista-chefe elogia o esforço da Irlanda, e coloca Portugal e Espanha na linha da Grécia, como sendo os que demonstram maior incapacidade para equilibrar os seus défices. O ponto da questão é claro: inflexibilidade do mercado laboral. Podemos continuar a ignorar a raiz do problema, até que sejamos forçados a actuar, por pressão do exterior, como está a acontecer à Grécia. A entrevista foi dada - "apenas" - ao canal CNBC.
Em 2010, o Blue Lounge vai recuperar algum do fôlego perdido num ano de 2009 muito atribulado e recheado de mudança. Para recomeçar, Gregory Crewdson, e a nostalgia dos tempos que não voltam atrás.