Blue Lounge

No luxury and no comfort, no delight and no pleasure, no new liberty and no new discovery, no praise and no flattery, which we may enjoy on our journey, will mean anything to us if we have forgotten the purpose of our travels, and the end of our labours. Isaiah Berlin





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Ao navegar os arquivos à procura de um post antigo, dei de caras com esta foto que tirei na Namíbia, que me fez lembrar como que uma metáfora do PS e do PSD: duas zebras, bem juntinhas, à sombrinha, parecem estar de costas, mas são tão iguazinhas ...
Rodrigo Adão da Fonseca

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Mais um ano festejado pelo Abrupto, que merece as habituais felicitações do Blue Lounge. O Abrupto é, depois dos blogues onde colaboro (há sempre aqui uma certa parcialidade), o preferido cá da casa. Por isso, há que felicitar o José Pacheco Pereira pela persistência. Longa vida ao Abrupto.

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A Birmânia corresponde à delimitação histórico-cultural de uma vasta região asiática, encaixada entre a China, a Tailândia, a Índia e o actual Bangladesh. Banhada pelo mar de Adaman e pelo Golfo de Bengala, foi pelas águas do Índico que chegaram os primeiros portugueses, no início do século XVI; aí ficaram, até meados do Século XVII, na região de Pegu, onde construíram diversas feitorias. E não só: segundo Carlos Fontes o português influenciou a língua local, com expressões tão nossas como “leitão”, “toalha”, “natal”, “varanda” ou “bola”, que terão permanecido na linguagem, sólidas como as muralhas que protegiam as nossas posições militares, entretanto abandonadas, fruto das vicissitudes da gesta de um povo à época ambicioso, que queria mais do que aquilo que conseguia agarrar.

Esta terra, que carrega um pouco de Portugal, possui uma diversidade cultural, étnica e linguística impressionantes; une estes povos porém uma história de opressão interna e dominação externa: mongóis, indianos, tailandeses, britânicos, japoneses, subjugaram a Birmânia, que apenas conheceu curtos períodos de prosperidade, em especial no reinado do Rei Mindon, no século XIX, o mais amado pelo povo, ainda hoje símbolo de esperança.

Em Novembro deste ano faz um ano que visitei a Birmânia, refundada pelos militares nos anos sessenta e rebaptizada em 1989 de Myanmar, “Todos Juntos”, locução que reflecte o caminho para o socialismo só abandonado em meados dos anos noventa, já após a desagregação do Bloco de Leste. Quis ver com os meus olhos este país que vive fechado ao mundo, como se o tempo não existisse. Visitar a Birmânia equivale, por isso, a uma pausa nas nossas vidas: já conceberam viver quase um mês sem telemóvel, internet, CNN, jornais ou pagamentos com VISA? Pois é: até sair de Rangoon, de regresso a casa, todos estes pressupostos do nosso modo de vida desaparecem, somos forçados a aderir a um novo quotidiano, onde a tirania, por ironia, nos devolve o tempo. Neste contexto, um mês poderia parecer uma eternidade. Uma ilusão de eternidade que rapidamente se esgota, dando lugar a um tipo de tempo que nos molda a alma, vivido entre os telhados de ouro dos pagodes que dominam a paisagem, longas conversas, refeições sem pressa, cheiros e cores intensas, sons e músicas monocórdicas que se repetem até nos derrotarem com a sua suave monotonia. Vendo coisas e ouvindo histórias do passado e do presente que nos fascinam e nos indignam e nos fazem sentir que, afinal, estamos vivos, e não adormecidos.

Não sei se a utopia silenciosa dos monges pacíficos da Birmânia vai surtir efeito, se este desabafo sem ruído, sem depoimentos, sem histórias pessoais que nos despertem, não será mais uma vez a expressão suicida deste povo com um karma sofredor. O braço de ferro é, como tantas vezes, desigual. Não sei se, para lá das notícias, tudo não regressará à triste normalidade.

A vida tem-me levado aos sete cantos do mundo, a sítios até que já esqueci. Não houve um só dia, porém, no último ano, que quando me cruzo com o leão que protege a minha casa não tenha desejado a libertação deste povo que tanto sofre. Por isso, e com palavras simples, junto-me aos que protestam. Sem explicações geopolíticas nem quadros macroeconómicos. Sem uma ideologia de base que justifique amores e ódios. Sem ícones nem mitos. Escrevo, apenas, para ocupar o vazio dos que falam em silêncio. Para recordar os que têm morrido, por quererem simplesmente viver. Para dar força aos que se insurgem sem armas, movidos pela fé. Para evocar os que têm desaparecido, apenas, imagine-se, por existirem, vítimas do ego e dos caprichos de militares que teimam em mostrar a força e extensão da sua maldade.

Retribuo cada sorriso, e pequenos e grandes gestos de bondade, alguns deles de um tipo que julgava não existir. É naif, mas é a única utopia que merece ser cantada: que dos gestos de bondade nasçam as liberdades. São estes os meus heróis, os que gostaria de ver elevados à categoria de ícones.
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Erró, um dos expoentes máximos da pop-art de marca europeia, e um dos meus preferidos, expõe em Lisboa, na António Prates. Junto duas obras quase metafóricas daquilo que se passa no PSD...

"La vengeance"

"La sagesse"
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Ontem fui a Serralves rever a exposição de Rauschenberg (encerra hoje, e não é todos os dias que temos "Rauschenbergs" a cinco minutos de casa); aproveitei e visitei as duas novas que por lá andam: uma, que mostra um lado menos conhecido (pelo menos para mim) de Júlio Pomar, e uma outra, antológica de Manuel Alvess, artista que é uma surpresa (nunca tinha ouvido falar dele, talvez porque desde os anos 80 que aparentemente vive arredado das mostra públicas, por opção própria). O Museu e os jardins estavam cheios, de gente e de vida. Agora que está a regressar o bom tempo, recomenda-se uma visita a Serralves.

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Câmara dos Comuns, um blogue que pela equipa que apresenta, vai de certeza jogar, logo desde o primeiro dia, para a Champions League. Junto ainda um blogue que já joga na Liga Milionária, mas que estava a escapar a um Blue Lounge um bocado para o preguiçoso, o Sorumbático. Ambos em destaque.

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Andei a ripar alguns CD's que não ouvia há uns tempos, e reencontrei o "At First Light". Tinha saudades deste "Two sleepy people"...
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O dólar está de facto pelas ruas da amargura, mas o que se está a passar não é inédito. Ainda não é desta que o país do Tio Sam abre falência. Os tempos estão mas é para ir a NYC às compras. Agora, amigos, ao contrário dos Mecano, importa moderar as expectativas.



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"Churchgate Station, Bombay, India",1995
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"Show Time", 2005
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Ora bem, a Sinapse acorrentou-me, deixou recado na caixa de comentários, e ainda resmungou por mail. Não há assim margem para fugas, então.

Cumprindo as regras, tenho de começar por linkar a pessoa que me acorrentou: Sinapse, nome de guerra blogosférico. Depois, há que publicar as regras no blog: mas elas estão aí, as marotas...

De seguida, importa partilhar 6 insignificâncias sobre mim, aqui o je:

1. Ando com vontade de emigrar, mas como deve ser. Isto do "expatriado shuttle" (sou como aquela navezinha da NASA, que vai e vem, passo o dia a ir para ou a vir de algum lado), já me aproxima do imigra, que já fui, e que quero voltar a ser; acho que vou fazer como a Linda de Suza, um dia destes pego na valise e bazo; fique quem quiser com o Sócrates e o Anacleto e a oposição e o défice e o fardo das gerações vindouras.

2. Adoro fotografar; embora não sei se esta insignificância vale como "partilha", pois quem lê o Blue Lounge já deve ter percebido isso.

3. Se pudesse voltar atrás, em vez de Direito e MBA's e cursos de Ciências Políticas e essas coisas, tinha seguido Arquitectura.

4. Cada vez mais sinto falta dos meus verdadeiros amigos, e algum desprezo pelo convívio menos genuíno.

5. Coca-cola; Zero, Light, ou Clássica; com gelo e limão, por favor.

6. Não consigo viver sem a minha dose diária de arte, ou de algo que apele ao lado belo da vida.

Bem, agora é suposto passar esta corrente a outros seis bloguistas, e avisar as vítimas que foram acorrentadas; como sou contra práticas sado-masoquistas (respeito, mas não fomento), não vou acorrentar ninguém.

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Escadaria do The New Majestic
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Lobby do The New Majestic
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Jardim das orquídeas, Singapura
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Chinatown, Singapura
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A semana passada tive de ir, sem contar, a Luanda, onde a internet esteve lenta como nunca. Por isso o Blue Lounge estacionou.

Regressa à série asiática, Singapura e um pouco da Malásia. Não sem antes me juntar ao Eduardo Pitta na recomendação da exposição de Carla Gonçalves, na Galeria Simbolo, e ao Corta Fitas, que destaca o site do Pedro Duarte, amigo de longa data, e que segue assim para a coluna da direita.

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(foto de um dos muitos flyers que inundam as ruas, para festejar o ano chinês)

Este ano festejei o novo ano chinês em terras do Oriente, em plena Chinatown de Singapura. Estou, assim, imbuído de uma vasta sabedoria astrológica, disposto a partilhar.

Ora então, estamos em pleno reinado do rato, anos normalmente marcados pela abundância, oportunidades e bons projectos. Estes são também anos de especulação e flutuação nos preços, mas acompanhados de um crescimento global da economia. Recomenda o animalzinho, porém, que não se corram riscos desnecessários, pois a especulação excessiva é penalizada.

Os anos do rato estão ainda marcados pelo frio do Inverno e pela escuridão da noite. Diz a sabedoria chinesa que os anos do rato estão livres dos eventos e das guerras explosivas, sendo propícios à socialização e à procura de momentos agradáveis.

Como diz o ceguinho, a ver vamos, pelo que daqui por uns meses voltaremos ao tema, para ver no que deu este ano do rato.

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Jiang Heng, "Starry Objects No 50". 2007
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Faz dois anos no final deste mês, conheci pessoalmente a Sinapse, no seu habitat natural, em Bruxelas. Conversa politicamente correcta, truly investment banking stuff, até que a nossa amiga declarou que tinha acabado de fazer um blog. Nasceu uma verdadeira irmandade entre o Blue Lounge e o Postais de Bxl, embora agora em NYC.

Parabéns!

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Zhou Yingchao, 2007, do espólio da Opera Gallery de Singapura

Regressado hoje das terras do Oriente, ainda não tenho as fotografias prontas. Entretanto, partilho algumas confidências da viagem. Desde logo, a Opera Gallery de Singapura merece uma visita, sobretudo para quem gosta de desvendar as boas surpresas que nos reservam as estéticas asiáticas. Recomendo ainda - e vivamente - o The New Majestic, em plena Chinatown, pelo design, mas também pelo serviço e pelo reduzido número de quartos, que nos faz sentir em casa.

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Obama, aquilo que a esquerda europeia pensa que é a esquerda americana, é a última esperança do mundo, tão esperançosa que levou muita gente a trair os Clinton, aquilo que a esquerda europeia pensava que era a esquerda americana antes de Obama aparecer.

JPP, no Abrupto

Como escrevi noutras ocasiões, o meu olhar em relação à política americana é equidistante, não me sinto compelido a ter o "meu" candidato. Mas uma coisa é certa: não tendo nenhum candidato preferido, há desde logo um que me asssusta: Obama. Não gosto do Obama, porque tenho sempre receio dos políticos que querem mudar o mundo, e que acreditam mesmo nisso, sobretudo quando são possíveis presidentes dos EUA.

***


Em Portugal, a luta para as presidenciais resume-se à disputa Hillary Vs Obama. Parece que o Partido Republicano está "fora da corrida". Recupero algumas das interrogações que apresentei aqui no Blue Lounge em 2006, e que permanecem em aberto, a que acrescento, agora, as sombras que pairam sobre a economia americana. Será que o Partido Democrata consegue apresentar respostas credíveis para as dúvidas dos americanos? Ainda é cedo, pois a procissão está no adro, e o discurso pouco maduro. Os próximos meses permitirão esclarecer se há capacidade de angariação no lado democrata, ou se o pragmatismo de McCain se irá impor na hora decisiva.

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Deixei Luanda, cidade que ferve por todos os poros, de regresso à sempre fresca Invicta. A minha cabeça sofre de ressonância, com sembas e kizombas sempre a bombar, e por tudo e por nada sai-me um "Ya". No Porto, por uns dias, para mudar de mala, de partida para a Ásia (desta vez com máquina fotográfica). A secretária aqui no office está confusa, a merecer algum carinho. Preciso de um lápis azul, ou de mulher da limpeza.

Ouvi na rádio que os preços não param de subir. Lembrei-me de uma reportagem de exterior memorável, onde perante uma pergunta estúpida de uma jornalista - "o que acha da subida dos combustíveis, concorda?", um consumidor/contribuinte (mais "sujeito passivo" do que propriamente consumidor), respondeu: "A gasolina subiu? A mim tanto me faz, meto sempre cinco contos".

Caro Espumante, o Mussulo parecia Hong Kong em hora de ponta. Mas havia "langosta" a rodos.

Rodrigo Adão da Fonseca

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Dei por mim, no outro dia, a lembrar-me do cavalinho de baloiço que tive quando criança – muito criança mesmo (...). Fazia dling dlong quando eu o montava (...) Não faço ideia de onde anda a esta altura o cavalinho. Se o meu sobrinho mais novo ainda o desfrutou (...) Uma menina que fica com pena, uma pena terrível e sem remédio, de já não caber no selim e de já não se contentar com a repetição do embalo e do som da campainha.


f., no 5 Dias

Ia fazer um comentário, mas acho que nem vale a pena.

Sexta regresso à metrópole.

Rodrigo Adão da Fonseca

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If the Portuguese do not attend conferences to discuss new ideas, why do they like conferences so much to the point that they have become a sort of national sport or entertainment? The answer is hand-shaking. The Portuguese like to be in company, specially of important people. They like to be seen close to power, which they take as a sign of their own importance. Shaking hands with important people, such as a minister or a secretary of state, is an asset as they might need some favour from them in the future. In this sense, most conferences in Portugal could well be called hand-shaking conferences or conferências do bacalhau, as they would say here with typical humour (bacalhau, which translates for codfish, is a popular expression for hand-shaking).

Pedro Arroja, no Portugal Contemporâneo.

Rodrigo Adão da Fonseca


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