08 janeiro 2006

Liberalismo, Globalização, e o desconhecimento total daquilo que são os pensadores da Escola Austríaca - Parte V

Para terminar, não podia deixar de comentar a frase do ano, Henrique Raposo dixit: «A globalização existe porque está assente numa estratégia política baseada em estados-chave».
Parece que o nosso caro Acidental amigo vê ainda o mundo e a «ordem mundial» como algo que se planeia ao bom estilo do Tratado de Tordesilhas ou das Conferências de Berlim ou Ialta. Belas conversações entre líderes mundiais onde, o que os Estados não resolviam hoje, resolviam amanhã. Depois do magret de pato, obviamente. O mundo real, contudo, é bem diferente, e diz-nos que a «Globalização» resulta da interacção diária de múltiplos agentes - os Estados são apenas uma parte desses players - onde cada vez mais não manda ninguém. O mundo globalizado é um grande espaço onde os Estados desesperam tentando impor a sua vontade, e onde, cada vez mais, não conseguem. Mesmo os mais poderosos. Veja-se o ridículo Patriot Act, ou da tentativa frustrada de impedir que os têxteis chineses entrassem na UE. Ou das sucessivas campanhas para as tentativas frustadas de impedir a canibalização global das receitas fiscais. Ou a guerra no Iraque. Ou o crescente tráfego de droga. Ou o descalabro com o preço do petróleo. Ou o peso geopolítico da Gazprom e dos oligarcas russos. Entre milhares de outros exemplos. A globalização é um processo em aberto. E não assenta numa estratégia política baseada em Estados-Chave. Quanto muito, assenta em diversos equilíbrios-chave, muitas vezes contraditórios e que são fonte de tensão, entre aqules Estados que, apesar de tudo, ainda conseguem ter algum peso no curso da humanidade, mas que, ainda assim, passaram a ter de actuar na nova velocidade do mundo, que nem sempre respeita os seus timings e as suas agendas... Rodrigo Adão da Fonseca

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