23 janeiro 2006

Rescaldo das eleições presidenciais – I

Cavaco Silva é o grande vencedor das eleições. Conseguiu à primeira volta derrotar os seus adversários, que apostaram numa ploriferação de alternativas à esquerda como forma de forçar uma segunda volta. Cavaco conseguiu captar o apoio do eleitorado não dogmático que lhe havia escapado em 1996; para tal, contou com a colaboração do PSD e do CDS, que anuíram em manter uma postura discreta, permitindo que o candidato se lançasse numa incursão nos territórios da esquerda. Cavaco terá percebido que em 1996 se apresentou ao eleitorado com um posicionamento excessivamente «partidarizado» e «sectarizado»; por isso, durante dez anos, trabalhou intensamente a sua imagem, até ao mais ínfimo pormenor, procurando ainda criar em seu redor todas as condições favoráveis à sua eleição; desde 1996 que Cavaco se posiciona para esta eleição, tendo actuado sempre em congruência: afastando-se das questões menores da vida pública, apenas interferindo, e cirurgicamente, nas situações que o poderiam prejudicar (até ao ponto de forçar a queda de um governo PSL/PP, que claramente o condicionava). Aplicou a si próprio a «Lei da Rolha». E por isso vai beber da Taça.
Rodrigo Adão da Fonseca

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