18 janeiro 2006

Um desígnio geopolítico para o Porto: O imobilismo da corrente «substancialista»

Essa primeira corrente evoca uma posição conservadora, perpetuadora da inércia do passado, que pode apodar-se de «substancialista». Arranca do princípio de que nenhuma mudança política, formal, simbólica ou até administrativa é necessária, nenhum corte ou facto mobilizador é requerido. Tudo está na «substância» das coisas: com bons líderes municipais, com boas medidas de articulação, com disponibilidade para cooperar, os problemas metropolitanos resolvem-se; resolvem-se por si. «O modelo existente é bom; se não é bom, antolha-se suficiente». O moralismo da corrente é subtil, mas forte: «mudem-se os políticos ou comportamentos locais – e já agora, com um leve jeito, mudem-se os cidadãos – e tudo se resolverá». O que esta sensibilidade esquece é que estamos há trinta anos à espera desse «homem novo», que tudo fará segundo os cânones dos guiões internacionais de boas práticas. Teoricamente, percebe-se o impulso, mas a experiência, de há muito, certificou o seu fracasso. São os «velhos do Cabedelo».
Paulo Rangel (Público, 18 de Janeiro de 2006)
Rodrigo Adão da Fonseca

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