31 janeiro 2006

VPV e LIBERALISMO

VPV tem vindo a mostrar, no Espectro, uma faceta intimista que desconhecia. Depois de ter descrito - com elevado brilho - a sua passagem pelo Parlamento e a sua utilidade para a Nação, decidiu brincar - como só ele sabe - aos números e à Estatística! Pena que se tenha «esquecido» de comparar a taxa de crescimento da despesa face ao PIB antes e durante a governação da Sr.ª Thatcher; ou considerado «desnecessário» comparar taxas de crescimento da despesa entre países com um grau de desenvolvimento semelhante; ou «ignorado» um outro dado que seria relevante para as conclusões que retira, ou seja, perceber qual a evolução da dívida pública: porque, para que se possa aferir se Thatcher aumentou a despesa face ao PIB, não basta «olhar» para a despesa corrente; e Thatcher optou por diminuir a despesa pública - não onerando as gerações futuras com juros - cobrindo a despesa com impostos (e não com dívida). Seria interessante, também, que VPV tivesse explicado a importância que os governos da Sr.ª Thatcher tiveram na construção de todo um quadro legislativo que favoreceu o florescimento de uma economia de mercado assente na confiança entre os agentes económicos e na desburocratização, que ainda nos dias de hoje é uma das chaves de sucesso da economia britânica; ou apresentado uma apreciação qualitativa dos gastos que estiveram subjacentes ao tal aumento da despesa: será que Thatcher apostou na educação e na exigência, ou optou por subsidiar a pobreza voluntária? «Já agora», como pessoa culta e informada que é, VPV poderia ter deixado os seus leitores esclarecidos, dando-lhes nota que a Sr.ª Thatcher não era liberal, mas liberal-conservadora, tendo orientado a sua governação por um compromisso entre liberdade económica e justiça social. Aspectos pouco relevantes. Peanuts, certamente. Para lá do humor, o que gosto na escrita de VPV é que se aprende sempre qualquer coisa; aliás, tal é uma característica da blogosfera; no último mês fiquei a saber que Negri não é marxista, mas um seguidor fiel dos românticos alemães; que a negação do jusnaturalismo representa a negação do liberalismo; que a lei natural se opõe à constitucional; e hoje, para acabar o mês, fiquei a saber que George W. Bush é liberal! Brincadeiras à parte, numa coisa concordo com VPV: no actual contexto, dificilmente um discurso liberal claro patrocinará uma vitória eleitoral. Este ponto ficará para um outro post. Rodrigo Adão da Fonseca Sobre este mesmo tema: «Podem os Liberais voar?», de Rui de Albuquerque, no Portugal Contemporâneo (caro Rui, que ideia essa do Kiwi, o bicho mais estúpido que vi até hoje); «Criticar os liberais é belo mas a realidade é complicada», por André Azevedo Alves, n'O Insurgente (também aqui). Já agora, esta merda de linkarmos os textos uns dos outros, será uma coterie?

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