05 maio 2006

Forças de Bloqueio

Ontem, na RTP1, a deputada Ana Drago opunha-se à solução proposta por Pires de Lima e Paulo Rangel de permitir que uma parte da reforma fosse constituída, para lá do pilar público, por um pilar de capitalização individual, gerido livremente por cada cidadão, junto do sector privado. Argumentava que quem tenha "um ordenado de quinhentos euros não tem a liberdade" de poder reforçar a sua reforma. O que, para Ana Drago, é motivo suficiente para impedir que outros a tenham. A exploração política da inveja está presente de uma forma bem evidente no discurso de Ana Drago, que prefere eliminar da Previdência toda a liberdade a permitir que haja uma solução de compromisso (como existe em muitos países, como nos nossos role models nórdicos), híbrida, com dois pilares, um de caixa, baseado na solidariedade e no princípio da subsistência, e um outro, gerido pelo próprio, livre, de capitalização individual, alimentado em função das suas disponibilidades e expectativas. Como dizia e bem Paulo Rangel, Ana Drago, para ser coerente, deveria defender frontalmente a ideia contribuições desiguais, reformas iguais, numa solução em que o Igualitarismo mataria totalmente a Liberdade. Antes, Ana Drago e António Filipe haviam já defendido que a solução para a "crise da Segurança Social" passaria por onerar as empresas que geram mais valor, criando um pilar em que os descontos não seriam calculados em função da massa salarial, mas sim da rentabilidade das empresas. Pretende-se, neste contexto, que as reformas resultem ainda mais do esforço das empresas, e ainda menos do empenho dos próprios: passaríamos a ter, caso seguíssemos as teses de Che Drago e Che Filipe, reformas ainda menos indexadas ao esforço (ainda menos do que ocorre já hoje). E, certamente, empresas cada vez menos rentáveis, o que não seria especialmente bom para o financiamento do sistema... O mundo está cada vez mais competitivo e exigente, mas o Bloco de Esquerda e o PCP, em vez de cairem na realidade, preferem continuar a oferecer "ópio ao povo"... Rodrigo Adão da Fonseca

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