19 maio 2006

Maternidades

A discussão em redor do encerramento das maternidades tem demonstrado uma das grandes falências do nosso sistema democrático: o esvaziamento das decisões de gestão pelo crivo demagógico dos políticos. Fala-se até à saciedade de "desertificação", "natalidade", "nacionalidade", "coesão", "diálogo". Como se o movimento para as cidades, a opção pela redução dos agregados, a escolha do local para nascer, não fossem decisões individuais, e dependessem da existência ou não de serviços públicos à porta de casa. As populações de Amarante e Barcelos, por exemplo - bem como de Santo Tirso e de todas os concelhos periféricos em redor do Porto, Guimarães e Braga - vivem já hoje perfeitamente integradas nos grandes centros urbanos naquilo que são os seus hábitos de consumo e lazer. O grau de proximidade que existe hoje, por redes viárias de grande qualidade, tornam o Grande Porto cada vez mais abrangente e extenso. Numa noite de sábado, os bares, restaurantes, e discotecas do Porto e Braga são maioritariamente "habitados" por pessoas da periferia que aí se deslocam em busca de diversão. Posso até ironizar que muitas das crianças nascidas em Barcelos, Santo Tirso ou Amarante terão resultado de uma boa noite de animação fora do concelho de origem. Os centros comerciais das grandes cidades servem também todos estes concelhos, e não se vê que a distância seja um factor dissuador a quem se desloca ao Feira Nova, ao Norte Shopping ou ao Arrábida Shopping, criando reservas ou ou resistências ao consumo. Não percebo, assim, porquê tanta demagogia em relação a algo que é tão simples. Para haver qualidade ao menor custo é preciso concentrar competências, e o consumidor ficará satisfeito se perceber que o serviço melhora. Apenas e só. Tudo o resto é demagogia. P.S: No Reino Unido, o centro de saúde da área de residência (e que gere os habitantes de uma dada região) tem autonomia para contratar um tratamento com um hospital a mil quilómetros de distância: o utente, se for caso disso, atravessa toda a ilha para ser tratado... Rodrigo Adão da Fonseca

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