07 maio 2006

Oposição, precisa-se

Esta semana o CDS-PP realizou o seu Congresso. O PSD deu lugar à eleição do seu líder pela primeira vez por sufrágio directo junto dos militantes. Amanhã, tudo estará na mesma? Ribeiro e Castro lidera o CDS-PP; Marques Mendes mantém-se na liderança do PSD... Tudo na mesma? Quem ouviu hoje Marques Mendes comentar, a partir da Madeira, o desafio de José Sócrates, opinando sobre a pseudo-"Reforma da Segurança Social" deste Governo, argumentando que a solução passaria pelo "crescimento económico", usando como "muleta" um relatório da OCDE; quem assistiu ao debate(?) que se desenrolou no Congresso do CDS-PP, sobretudo centrado em acusações, insinuações não assumidas, e tentativas várias de desprestigiar os únicos que demonstraram saber fazer política com dignidade e elevação - a JP; quem vê que Portugal é liderado por um Primeiro-Ministro de um governo que não tem uma estratégia para o país, limitando-se a "navegar à bolina", com a esperança que no meio de tanto ziguezague a caravela chegue à India sem naufragar; onde o MNE anda "cansado"; percebe que o país vai entrar numa enorme travessia no deserto: num total deserto de ideias. Os potenciais políticos no activo da chamada "direita" (seja lá o que isso for) - à semelhança do que ocorreu no PS durante o Cavaquismo e após o suicídio guterrista - provaram que só se interessam pelos partidos quando estes são capazes de os conduzir ao Poder. Falam de "ideias", de "valores", de "interesse público", mas basta uma maioria absoluta para que se afastem, posicionando-se para "2008", "2009", ou para quando o contexto político lhes permita aspirar à governação. É por isso que a alternância em Portugal não funciona; porque, na verdade, os anos na oposição não são aproveitados pelos partidos para se prepararem para o regresso ao Poder. Quando a alternância ocorre, e voltam à governação, os vencedores não têm projectos para o país, não têm equipas, não têm pessoas preparadas, são ultrapassados pela realidade e pelos problemas. Não são "Estados Gerais" e iniciativas de arregimentação de "ideias" (e pessoas), convocados na iminência da governação, que dão consistência aos partidos. Mas não: no CDS-PP o líder venceu, mas perdeu o Conselho Nacional para a oposição, demonstrando a sua natureza de "líder a prazo"; no PSD, Marques Mendes vai-se arrastando pelo país mediático, com os seus lugares comuns, ausência de ideias e falta de chama, após uma eleição em que, deliberadamente, o deixaram a correr sozinho. Daqui, hoje, lanço uma enorme crítica a todos os que deveriam assumir as suas responsabilidades, abraçando projectos políticos coerentes e credibilizados, construídos a partir de uma casta e com a qualidade que só o tempo patrocina. Infelizmente, parece que o único que move a direita portuguesa é a possibilidade de aceder aos corredores do Poder. Rodrigo Adão da Fonseca

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