26 agosto 2006

Ideias soltas

O PSD cumpriu a sua rentrée em Faro. Como a distrital do Algarve, liderada por Mendes Bota, é afecta a Luis Filipe Meneses, Marques Mendes optou por não comparecer.
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Aproveitou o Presidente da Câmara Municipal de Gaia para "fazer a festa". Diz-se que alguns notáveis, aspirantes à liderança, preferiram não comparecer, para não serem associados à marca do "populismo" que não larga o candidato derrotado no último Congresso.
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Ora, até às próximas legislativas, não há mais eleições. Assim, não vejo outra forma de substituir Marques Mendes que não seja à força e ao bom estilo da 1.ª República. Ainda vamos assistir a uma cena, seicentos anos depois, de destituição à Conde Andeiro. Até porque, em rigor, faz falta ao PSD um líder bastardo, mas com a garra do "Mestre de Avis".
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Meneses sabe que, não podendo aspirar à liderança, ninguém conseguirá destronar o actual lider sem a sua colaboração. Aliás, o próprio Marques Mendes terá - admito - consciência disso, e por isso estará - admito - a deixar que o seu adversário no último Congresso tenha algum protagonismo.
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Para uma boa parte da inteligenzsia lisboeta, do PSD e dos media, que continua convencida que os partidos se conquistam nos directórios políticos e em almoços no Pabe, Meneses estará morto politicamente, ideia que não é partilhada por muitos militantes e até por diversos adversários políticos que o conhecem bem: sabem que Meneses é um homem inteligente, e que beneficia de uma fidelidade "quase canina" de uma boa parte do PSD. Surgindo cada vez mais prestigiado por dois mandatos autárquicos, onde colocou uma cidade cinzenta e periférica no eixo da centralidade da área metropolitana do Porto (com projectos estruturais já concretizados, e que denotam visão e capacidade de execução).
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Marques Mendes é um líder(?) a prazo: foi esse o mandato que recebeu do partido, assegurar a transição, Marques Mendes é o "Pedro Barny" do PSD, uma espécie de beduíno para a "travessia no deserto": não sabe fazer oposição; o povo não o ouve; e não tem uma ideia para o país.
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Meneses está nitidamente a assegurar a sua quota: quem quiser liderar o partido, é bom que comece a pensar como vai conquistar as bases; e como pretende obter o apoio de Luis Filipe Meneses. De contrário, teremos Marques Mendes a discutir com José Sócrates as próximas eleições legislativas (ou seja: mais uma maioria absoluta do PS, por falta de comparência do PSD).
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Cairam os muros, mas a França permanece viciada no socialismo. Será que nesta saison política, vamos assistir a mudanças políticas por terras gaulesas?
Thomas Ruff, Plakat, 1998
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Comenta o CA no Insurgente, a propósito de meu post «A pedra no sapato a que chamam "ética" »:
"O problema não é a ética mas sim uma certa ética usada como instrumento político, religioso e cultural"
Mas podemos perceber as opções éticas sem atender ao que é o contexto político, religioso e cultural de uma dada sociedade? O que explica que seja o país que mais tem regulado as matérias éticas, com opções restritas, seja a Alemanha? Mais que a Espanha - país tido como "conservador" - onde se têm assumido soluções mais amplas. Será porque a Alemanha experimentou o nazismo, também ao nível científico? Rodrigo Adão da Fonseca

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