02 agosto 2006

Será da silly season ou do amor aos charutos?

Miguel Sousa Tavares, ontem, no telejornal da TVI, decidiu fazer um sketch a la gatos fedorentos, e vai dai sai-se com uma série de comentários enigmáticos, qualquer coisa neste estilo:
"eu sei que o Fidel é um ditador, mas não consigo dizer mal dele, porque é um idealista, bateu-se pelas suas ideias e não tem contas da Suiça e vive pobrezinho e estou farto dos políticos de cá que falam, falam, falam, falam e eu não os vejo fazer nada. Fidel teve os seus erros, na crise dos mísseis, quase dava origem à terceira guerra mundial, mas é um idealista, e isso é que é importante, e Cuba não é uma ditadura, é uma monarquia, e tal".
Esqueceu-se dos mortos, dos exilados, da falta de liberdades políticas, da fome, da prostituição que grassa em toda a ilha, dos que fogem em balsas, mas se é por um ideal, não vou ser eu quem vai criticar MST. Até fico com vontade de fazer demagogia, e reabilitar Stallin, Hitler, Pol Pot e todos os que se bateram por ideiais, às vezes atentando contra a própria vida, suicidando-se, levando à letra o fanatismo, digo, os seus ideiais, implodindo-se em centros comerciais e atirando-se em aviões contra Torres. Mas a preguiça de Agosto não me leva a tanto. Que fazer demagogia cansa. Caro Oliveirinha Salazar, está reabilitado, que morreste pobre e sem vícios; e se Fidel tropeçou no degrau, tu caiste da cadeira, meu. Caro Otelo Saraiva de Carvalho, pá: tanta ameaça que fuzilavas os fascistas no Campo Pequeno, pá, e nem um? Que raio de idealista és tu, pá? Tens agora uma oportunidade de ouro, que aquilo está bonito, pá. Não vês a TVI? Falas, falas, falas, e não fazes nada, pá? Caro Isaltino: a piada das contas na Suiça era para ti, mon cheri. Chega-te e dá-lhe. Que o homem gosta de quem "bate por ideiais", desculpem, de quem "se" bate por ideiais... Eu compreendo bem o MST; o homem, acima de tudo, ama os charutos; e os verdadeiros puros são havanos: nisso, parece que não há como os cubanos. Ora, eu próprio tenho as minhas parcialidades; apesar de tudo, não consigo dizer mal do MST, que é lisboeta, e defende como ninguém o FCP. É o que lhe vale; no que realmente importa, MST é um homem de ideiais nobres. Bem hajas, MST, tu e todos os Grandes Timoneiros. Rodrigo Adão da Fonseca PS: Diz o José Mexia que MST nasceu e cresceu no Porto. Nesse caso, retiro tudo o que disse!

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