27 setembro 2006

Unidos na Igualdade, à luta por uma galinha anorética

O Compromisso Portugal veio mesmo "mexer" com os nervos do status quo. Veja-se, por exemplo, a curiosa reacção de Vital Moreira; um artigo no Público de ontem, a lembrar os velhos tempos e, obviamente, as habituais boutades anti-americanas:

Já se sabia que a concorrência é um mecanismo essencial da eficência económica numa economia de mercado. Ficamos agora a saber que também tem efeitos virtuosos sobre a igualdade social. Deve ser por isso que a desigualdade de riqueza é tão pequena nos Estados Unidos!

Vital Moreira, Causa Nossa

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Nos EUA existem, de facto, desigualdades, não porque haja muitos pobres, como por vezes se canta por aqui, mas porque os ricos são MESMO ricos. Estamos a falar numa desigualdade meramente estatística. Quem nos dera a nós que os nossos pobres tivessem o nível de vida dos cidadãos norte-americanos, que houvesse, no acesso ao ensino e ao emprego, uma tão grande valorização do mérito, que a justiça comum por cá funcionasse.
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O limiar da pobreza nos EUA situa-se nos 20 mil dólares (por cabeça num dado agregado familiar); considera-se rico alguém que aufere mais de 200 mil dólares por ano. Olhem para os vossos bolsos e vejam quanto ganham. Quantas famílias em Portugal dipõem de mais de 20 mil dólares per capita? Com quanto se vive em Portugal?
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Nos EUA, existe, como em lado nenhum do planeta, o menor grau de desigualdade de oportunidades. Boa parte da pobreza é essencialmente voluntária, resulta de uma opção individual - não há falta de trabalho nos EUA (acolhem anualmente cerca de 17 milhões de imigrantes) - por pura e simplesmente viver no ócio, na preguiça ou do crime. A pobreza nos EUA é um problema sobretudo moral. Há, ainda, uma parte da pobreza que está associada à imigração: os EUA absorvem muitos imigrantes, de todos os cantos do mundo, que anualmente acorrem ao Norte da América em busca do seu american dream: o enriquecimento surge da luta pessoal contra a pobreza.
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Por cá, preferimos continuar perdidos a sonhar com o socialismo, desvalorizando a riqueza, obcecados na "redistribuição". Pelo andar da carruagem, qualquer dia andamos - unidos na igualdade - todos "à cabeçada" para redistribuir uma galinha anorética. Rodrigo Adão da Fonseca P.S. (aliás, BdE): Na linha esperada, JAD aponta as armas contra o sector privado; o Daniel Oliveira também. Pena que se limitem a reproduzir uma notícia, e não analisem o que está escrito no dito "relatório". Teriam algumas surpresas. Mas a Fé no Sector Público é suficiente. Isso é que importa. P.S.2.: Não sei se Vital Moreira conhece alguns dos bairros mais pobres da área metropolitana do Porto, ou de algum ponto do país. Veria ao ponto de degradação a que se chegou em certas zonas, uma pobreza endémica, encostada no Estado, inerte, que vive de subsídios e da pequena criminalidade. Pobres derrotados, adormecidos, sem vontade de lutar por uma vida melhor. Muitos deles limitados por uma sociedade que não gera oportunidades, em que a escola os condena desde logo à miséria. Cercados pela droga. Em Lisboa não será diferente. Em Portugal é muito difícil nascer-se pobre, e quebrar com o ciclo de pobreza. Quem tem orgulho num país destes, ao ponto de zombar com os que vivem bem acima destes patamares? P.S.3.: Fico fascinado com a facilidade com que em Portugal se critica os que, no fundo, criam riqueza e geram emprego. O Estado limita-se a redistribuir o que o sector privado produz. Que crédito nos merece quem tem tanto rancor pelos que, no fundo, todos os dias acordam para criar riqueza e gerar emprego? Vejam que são os promotores do Compromisso Portugal. Onde, em Portugal, há melhor emprego? Quais são as empresas mais produtivas? Quais são são os empresários mais empreendedores? Quais as práticas dessas empresas? Não são as que geram emprego de melhor qualidade? As que dão melhores perspectivas ao nível do país? As que, apesar de tudo, mais inovam? Os que criticam o Compromisso Portugal, quantos empregos criaram nos últimos dez anos? E com que características?

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