20 setembro 2006

Verdades inconvenientes

Tem feito furor o filme-documentário onde Al Gore apresenta "a passionate and inspirational look at one man's fervent crusade to halt global warming's deadly progress in its tracks by exposing the myths and misconceptions that surround it".
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"An inconvenient truth" tem, para além da mensagem ambiental, um fito político "não escrito" que importa não negligenciar. O timing é curioso - precisamente quando se começam a perfilar os candidatos à Presidência dos EUA - e o tema escolhido também. Al Gore pretende marcar a agenda, e criar um clima mais favorável, sim, não apenas para o planeta, mas também para os putativos candidatos democratas.
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Conclui-se, por um lado, que ao contrário daquilo que é a convicção europeia, a política externa não é a matéria que mais divide os americanos.
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O Katrina terá, eventualmente, deixado marcas bem mais profundas no eleitorado americano que a intervenção no Iraque.
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Importa ainda perceber as razões que conduzem a que um certo ataque abertamente anti-Bush seja deliberadamente esvaziado pelos democratas a favor de personalidades mais ou menos isoladas e posicionadas na esquerda americana, como Michael Moore (e que assumem as "despesas" do discurso mais radical).
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Ora (e como bem referia ontem ao almoço o AAA), 80% dos judeus americanos votam fielmente no Partido Democrata, numa lealdade que remonta aos anos quarenta e aos tempos idos da 2.ª Guerra Mundial. Nem o apogeu do neo-conservadorismo, na última eleição, impediu que 86% dos judeus norte-americanos tivessem votado Kerry. Acresce que o eleitorado judeu tem um peso fundamental em Estados importantes como NY e Massachusetts.
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Há, ainda, um factor decisivo: uma boa parte da produção cinematográfica norte-americana é financiada por judeus.
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Claramente, o Partido Democrata não vai querer hostilizar um dos seus eleitorados mais leais, o judaico.
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Uma luta titânica vai travar-se, sim, mas junto do eleitorado latino, tendencialmente republicano, mas bastante mais dividido, menos fiel, e que teve, durante este mandato, vários conflitos abertos com a Administração Bush.
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Está a começar a aquecer, e não é só o planeta! Rodrigo Adão da Fonseca

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