10 novembro 2006

Sabedoria Popular

Diz o povo, "um burro carregado de livros é um doutor". Na RTP-N Teixeira Lopes afirma, sem pestanejar, que a banca emite obrigações isentas na Madeira, privilégio que, segundo este grande "especialista" no que for preciso, não existe em nenhum país civilizado. Já que sabe tanto, gostava que TL me indicasse que bancos ainda emitem obrigações na Madeira; e que andam a colocar, no mercado global, obrigações para funding sujeitas a retenção na fonte; com essa informação, ficamos os dois ricos, a dar-lhes uns conselhos; e prometo a TL 50% dos lucros obscenos que ambos podemos obter (e ainda uns patrocínios ao Rivoli). Infelizmente, TL fala inspirado na maior ignorância. Os bancos, no mundo civilizado - não sei o que se passa na Birmânia ou na Coreia do Norte - têm a possibilidade de emitir obrigações para funding isentas de retenção na fonte dos juros. Por uma razão: substancialmente, só devem gerar rendimento tributável na jurisdição onde está domiciliado o beneficiário do juro ou, no caso do emitente, pelo proveito que resulte da aplicação do capital obtido nesse funding. Desafio quem quiser a discutir esta matéria, e a provar-me o contrário. Numa coisa concordo com o político-acorrentado-no-rivoli-que-sabe-de-fiscal-e-é-especialista-em-pobreza-e-em-tudo-o-que-for-preciso-porque-a-resposta-é-sempre-a-mesma-não-sendo-necessário-sequer-pensar-no-assunto-e-conhecer-a-realidade. Passam-se, de facto, em Portugal, coisas que não ocorrem em mais nenhum país desenvolvido. Uma delas é que se dá palco e microfone a pessoas sem a menor qualificação, permitindo-se que se digam as maiores alarvidades com um ar de quem domina toda a ciência. Rodrigo Adão da Fonseca PS: Sei bem que o recurso à sabedoria popular e denúncia da ignorância não fazem parte do estilo habitual do Blue Lounge. Agora, se Teixeira Lopes está à vontade para insinuar que José Lello teve um jantar "bem regado", então julgo que ele compreenderá bem este meu acesso de sinceridade.

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