18 maio 2007

Dadores de sangue

Na discussão sobre os dadores de sangue que anda por aí, o que me incomoda mesmo é saber que anda gente a dar sangue de uma forma pouco responsável. Para mim, alguém que tenha uma conduta sexual - seja homo ou hetero - que aponte para um razoável risco de infecção, teria de ser afastado, mas por iniciativa pessoal. No questionário, deveria bastar a assinatura prévia de um termo de responsabilidade, com um statement claro sobre a necessidade de uma decisão consciente. Pergunto-me como pode circular sangue infectado. Admito - mas neste plano falo de cor - que o sangue doado deveria ser sujeito a um controlo de qualidade; agora, repito, falo de cor, porque em rigor não percebo nada do assunto. Tudo o resto faz-me confusão. Perguntas sobre a vida íntima, estatísticas, defesas de grupos com argumentos que se fundam apenas no politicamente correcto, testamentos onde se tenta padronizar comportamentos (sexuais ou outros) que dão origem a grupos circunscritos; tudo o que li aproxima-se mais da engenharia social do que de soluções baseadas na responsabilidade individual, denotando um certo desrespeito pela pessoa humana. O dador aparece como uma espécie de ser inimputável que está ali apenas para esticar o braço e se sujeitar a uma catalogação sobre os seus hábitos e costumes. Rodrigo Adão da Fonseca

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