06 maio 2007

A mudança francesa

Portugal, em termos de discurso político, é altamente influenciado pela França. A vitória de Sarkozy é, por isso, de dificil digestão para a esquerda. Provou-se que nem mesmo uma candidata na linha da 'política de plástico' resiste à erosão e falência do receituário socialista clássico, que começa a não ser farol para ninguém. Por outro lado, é significativo constatar que, mesmo em França, foi possível afirmar uma candidatura que não precisou de temperar com socialismos envergonhados as suas propostas. Algo que Sócrates, Portas e Marques Mendes (e, sobretudo, quem o vier substituir) não devem deixar de tomar em consideração:
Cette victoire est politiquement d'autant plus significative qu'elle a été obtenue sans concessions. Sans concession sur l'identité de son camp. Il a assumé dès le début de sa campagne un positionnement et une identité de droite "décomplexée" à l'opposé des habitudes de sa propre famille politique. ('Le Monde', de 06.05.2007)
PS: Não deixa de ser curioso ver que na primeira linha dos festejos estão sobretudo jovens, dezenas de milhar de jovens entusiasmados. Em Portugal, Sarkozy foi sempre apresentado como uma espécie de defensor do capital e das multinacionais, contra os 'jovens' e os 'trabalhadores'. Só que a realidade é outra: há hoje milhares de jovens - em França e em Portugal - que sabem bem como a superprotecção do emprego prejudica, sobretudo, os que estão de fora do mercado de trabalho, diluindo a ideia de mérito e esforço. Sarkozy ganhou também junto do eleitorado mais jovem, que recusa o conservadorismo socialista, que não tem medo da competição e da globalização. Rodrigo Adão da Fonseca

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