02 maio 2007

Pina Moura e a Prisa

Os canais de televisão actuam ao abrigo de licenças concedidas pelo Estado, renováveis. Não estão em livre concorrência, na medida em que o acesso à difusão está vedado por lei, apenas dois privados têm privilégios de emissão. Eu não posso abrir, pura e simplesmente, um canal de televisão. Acresce que os privados dependem - e muito - daquilo que for o posicionamento da RTP, empresa que visa qualquer coisa como o 'interesse público', razão pela qual recebe milhões de euros do Orçamento do Estado, mas que rivaliza no mercado da publicidade, da produção e da compra de programas/direitos televisivos. Mesmo os canais por cabo têm o seu sucesso condicionado a um alinhamento que depende da PT-M, do grupo PT, cuja administração foi 'salva' por este governo. Defender que a escolha de Pina Moura é (apenas) um acto de gestão privada é fazer dos cidadãos portugueses anjos. Se calhar, até somos. P.S. Sempre defendi que as linhas editoriais dos media deviam ser devidamente assumidas. O modelo espanhol em muitos aspectos agrada-me, e parte do sucesso dos seus media resulta na credibilidade que têm enquanto produtores de informação e opinião. Mas uma coisa é a linha editorial e o corpo de ideias que uma dada publicação/órgão de informação assume com transparência, outra é a indigitação de certo management , num momento de grande tensão, em que são visíveis movimentações no sentido do controlo político da informação, e que deixa no ar um clima de nebulosa 'negociata'. Rodrigo Adão da Fonseca

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