28 março 2006

Critica e anonimato, Pluralismo e Responsabilidade

É curioso que com elevada frequência, nos blogues, quando alguém faz uma dada crítica, em geral a resposta seja acompanhada de um ataque ad dominem. Em tempos, e a propósito de um post de JPP, acompanhei o Abrupto na crítica aos blogues constituídos em redor de classes profissionais, e onde os seus dinamizadores escrevem, por vezes deduzindo críticas violentas, sob a capa do anonimato. Citei como exemplo o blogue «SaudeSA», espaço onde com elevada frequência se criticam pessoas em concreto sem que nenhum dos seus dinamizadores escreva de cara destapada. Do mesmo modo, poucos são os textos - salvo louváveis excepções - que abordam questões de política de Saúde, mas frequentes os posts contra Correia de Campos e sua equipa, contra Manuel Delgado, o representante da classe dos Administradores Hospitalares (AH), contra várias administrações de hospitais do país, ou contra a ENSP. São também habituais as discussões sobre o «estatuto da carreira do AH», sobre a escolha recorrente na contratação, por parte dos Hospitais Públicos, de quadros «não AH», sobre os «ataques à carreira» ou sobre o «futuro dos AH». Noto - como alías deixei bem claro na caixa de comentários do SaudeSA - que nada tenho contra os AH, antes pelo contrário. O que eu critico é a lógica corporativa, que se organiza colectivamente, que receia a concorrência, que critica violentamente sob a capa do anonimato, de cara tapada, e que escreve sobretudo reivindicando «estatutos de carreira» e benefícios para o todo, longe dos juízos do mérito individual, que deveriam ser o único critério de apreciação socioprofissional. É isso que discuto. Apenas e só. Até porque tal prejudica - e muito - a imagem e o prestígio dos seus profissionais aos olhos da população em geral. Hoje, em resposta às minhas críticas, e novamente sob o anonimato, acusaram-me de várias coisas, algumas delas risíveis: o que ninguém faz é refutar a ideia que apresento, preferindo deduzir ataques pessoais, ou apelar a um «pluralismo» vazio de ideias e a uma pretensa «liberdade de expressão». As reacções epidérmicas e anónimas contra mim - mas não contra o conteúdo do meu post - são a prova provada do corporativismo, no seu lado mais negro. O problema está em saber se há liberdade de expressão quando alguns criticam na penumbra, sob a capa do anonimato, desferindo críticas pessoais, em tom pejorativo, contra quem tem a frontalidade de assinar e subscrever os seus próprios textos; se há pluralismo sem responsabilidade, e se ele se compadece com o anonimato, sobretudo quando, em vez de se contestar a ideia, se ataca a pessoa. Rodrigo Adão da Fonseca

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