04 outubro 2006

Sobre o referendo

Diz Paulo Pedroso no Canhoto:
José Policarpo disse uma coisa muito simples mais cheia de repercussões. O sentido do voto no referendo e a fé católica são coisas distintas embora se interpenetrem e o resultado das múltiplas determinações na formação da opinião das pessoas pode variar. Ao fazê-lo deu uma lição de cosmopolitismo e, na minha opinião, num tema particular mas simbólico,um sinal positivo da Igreja portuguesa sobre a Europa e o valor que a Igreja do séc. XXI dá às múltiplas pertenças e ao pluralismo de convicções políticas e morais dos seus crentes.
Concordo plenamente com esta forma de ler as palavras do Cardeal Policarpo e que, aliás, não estão muito longe das que eu havia já escrito, aqui, a propósito do referendo que aí vem:

É pacífico, hoje, existir uma clara separação entre a Igreja e o Estado; assim, não faz sentido exigir-se da Igreja, neste plano, o que quer que seja. A Igreja, enquanto instituição secular, poderá participar - e certamente o fará - no referendo. Pois numa sociedade aberta, o debate é plural e livre; agora, não se compadece com exigências. Quem não quiser estar, não está.

Convém ainda não esquecer que o referendo convida os cidadãos a pronunciarem-se sobre a despenalização do aborto, no plano civil. Este é um debate da Nação. Não estamos a referendar a moral da Igreja: essa diz respeito à comunidade de crentes.

Rodrigo Adão da Fonseca

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