25 janeiro 2006

«Liberalismo em 2006?». A propósito de um post do Rui a.

Caro Rui, Infelizmente, estou tentado a concordar contigo. A tudo o que escreves acrescentaria que: a) uma parte da auto-proclamada direita, com a vitória de Cavaco, «saiu do armário» e decidiu «mostrar as unhas», num processo de «má digestão» dos resultados que não augura nada de bom (não que a reacção de uma certa esquerda, também, não tenha sido ressabiada e inspiradora de uma tensão desnecessária); a difusão de ideias novas faz-se, penso, pela sedução, e não «à paulada» ou angariando orgulhosamente «ódios»; tal abordagem é ineficiente (além de pouco democrática e até iliberal), pois o «subconsciente» da generalidade dos portugueses opera numa base «socialista»; b) o PSD e o PP vão entrar, em breve, em purgas e disputas internas, desgastando as suas imagens junto da opinião pública; e não permitindo a serenidade necessária à difusão de novas ideias; e c) o ambiente de estabilidade exigente onde Cavaco pretende coabitar com Sócrates - desenganem-se, à esquerda e à direita, os que acreditam que Cavaco vai ser uma persistente «força de bloqueio» - obriga a que a oposição seja laboriosa, organizada e coerente, e com um certo grau de sofisticação; ora, do que tenho visto, salvo honrosas excepções, isoladas, no PSD e no PP não vejo capacidade nem vontade para tamanha empreitada. O ambiente político favorece mais, como disse aqui e aqui, comunistas e bloquistas: porque o desgate do governo vai permitir ao PCP consolidar o seu eleitorado e, quem sabe, alargá-lo aos socialistas mais descontentes; e porque os próximos três anos vão ser particularmente úteis para o Bloco, que no adormecimento geral que se segue passa a ter terreno fértil para atormentar o país com as suas causas, a partir do Parlamento e dos media, sem necessidade de se sujeitar aos desconfortos eleitorais. Rodrigo Adão da Fonseca

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