30 junho 2006

Sobre a importância de uma oposição liberal

Na blogosfera (e também neste cantinho) muito se tem discutido nos últimos meses sobre a emergência e a importância de uma efectiva oposição liberal. JPP teve a feliz iniciativa de transportar esta discussão para a sua coluna do Público, alargando o leque do debate a um conjunto de pessoas a quem este assunto ainda não tinha sido apresentado de uma forma consistente. Ao contrário do Paulo Gorjão, penso que o artigo é suficientemente claro, e não carece de concretização: as grandes linhas das soluções liberais para a segurança social e previdência, saúde, educação, regulação, defesa do mercado, são por demais conhecidas, e não cabem no espaço de uma coluna (também não me parece que Manuela Ferreira Leite - que tem elevado valor pessoal e carisma, mas que comunga de uma visão estatista da sociedade - seja uma efectiva alternativa ao PS de José Sócrates). JPP, aliás, é das poucas pessoas da sua geração que já compreendeu (e tal é bem visível no seu artigo) que com a globalização há um mundo que definha, que está a morrer, e cuja juventude não volta mais. Tal contudo não se deve apenas a questões de índole demográfica; como reconhece Fukuyama (na revisão à sua obra central "O Fim da História e o último Homem", de Março de 2006) a globalização, por várias razões, está a enfraquecer de uma forma radical o poder dos Estados e a sua capacidade de controlar e promover políticas; pelo que parece que estamos a avançar a passos largos rumo a sociedades transnacionais, onde a circulação do conhecimento, da informação, dos capitais, das pessoas e dos bens se faz com uma imensa facilidade, desprezando aquilo que são as "vontades" dos Estados e os seus ditames constitucionais. O que se pretende é uma sociedade mais liberal, que permita que o "luso-espaço" seja mais competitivo, menos planeado, com uma menor interferência do Estado, mais livre e responsável; que permita aos que por aqui habitam que possam vencer no ambiente global. Mas, como JPP bem refere, para isso é necessário mudar o paradigma da política. Alguns post aqui no Blue Lounge sobre este tema: Sobre a emergência de um pensamento liberal; O erro de Fukuyama; Rien ne va plus; Líderes, precisam-se; Quem são afinal os culpados?; O neo-liberalismo e a ideia de cooperação; Kirzner, ou como actuar num contexto de incerteza; Ordem Espontânea ou Determinismo?; Estado. No blogue da Causa Liberal: O regresso ao individualismo. Rodrigo Adão da Fonseca

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